Dora Paula Paes
06/05/2026 07:28 - Atualizado em 06/05/2026 07:28
Divulgação
O Grupo Teatral Caixola de Baco apresenta o espetáculo “Feriado Nacional”. A montagem impactante leva ao palco questões urgentes da sociedade brasileira dentro das comunidades. A peça entará em cartaz no Teatro de Bolso Procópio Ferreira, nos dias 8, 9, 10 e 15, 16 e 17, sempre às 20h, em Campos.
Baseado no conto homônimo do escritor Júlio Cesar Monteiro Martins, presente na obra "Torpalium", a peça ganha uma adaptação contemporânea assinada por Victor Santana e Fernando Rossi, que também assina a direção.
Ambientada no cenário das comunidades, "Feriado Nacional" mergulha nas contradições sociais que marcam o cotidiano das periferias, abordando temas como violência, abandono, resistência e afeto. Com um elenco formado integralmente por atores negros, a montagem propõe uma reflexão sobre representatividade e pertencimento, dando protagonismo a vozes historicamente silenciadas.
Em cena, Samyla Jabor, João Victor Barbosa, Estefany Nogueira, Jonas Mendes e Valdiney Mendes se revezam entre personagens e narradores, construindo uma dramaturgia fragmentada e potente, como a dor de uma mãe que perde o filho para a violência imposta por milícias e pelo tráfico, expondo uma realidade que atravessa milhares de famílias brasileiras.
Mais do que uma encenação, “Feriado Nacional” se apresenta como um manifesto artístico, transformando o palco em espaço de denúncia, memória e resistência. A direção aposta em uma construção cênica intensa, com sonoplastia e projeções de Bruno Feitosa e iluminação de Saullo Andrétti.
“O espetáculo lança luz sobre a dor de uma mãe que perde seu filho para as engrenagens da milícia e do tráfico, forças que disputam territórios e vidas. “Feriado Nacional” não é apenas uma encenação: é um grito coletivo. Um chamado à escuta. Um espelho incômodo que reflete um país que, muitas vezes, prefere não ver a si mesmo”, adianta Fernando Rossi.
Na sinopse, em meio às vielas de uma favela marcada por ausências e resistências, cinco atores contam a história de uma mãe atravessada pela perda de seu filho, vítima da violência. Entre relatos, memórias e fragmentos de realidade, o espetáculo constrói um retrato sensível e brutal das contradições sociais brasileiras, onde o luto se mistura à luta cotidiana pela sobrevivência. "“Feriado Nacional” é um drama social que ecoa vozes invisibilizadas e transforma o palco em território de denúncia, poesia e resistência”, conclui, Victor Santana.
As sessões têm classificação indicativa de 16 anos, duração de 50 minutos e ingressos a preços populares, com valores de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), na Bilheteria do Teatro ou site da Mega Bilheteria.
Momento de homenagem
A equipe de produção do espetáculo “Feriado Nacional”, ainda durante a temporada, no Teatro de Bolso, pretende prestar uma homenagem ao ator campista Arnaldo Zeus Neto, que morreu no último dia 26 de abril. Ele era um dos personagens da peça; um dos mais intensos e violentos, integrante de milícia, na comunidade.
“Faremos uma homenagem ao nosso amigo e grande ator, Arnaldo Zeus, em todas as sessões. Essa é nossa forma de lembrar da sua presença tão marcante nas artes cênicas na cidade”, destaca Rossi.
Arnaldo Zeus Neto morreu no Hospital Geral de Guarus, onde estava internado. Segundo a família, foi em decorrência de uma meningite bacteriana, que segue em investigação pela área de Saúde do município. Na cena artística em Campos, Arnaldo já viveu o protagonista do filme “O Homem do Cachorro”, uma produção de Rossi e do escritor Adriano Moura, assim como participou do curta “Menino da Pipa Avoada”, também fruto da parcertia de Moura e Rossi.