Felipe Manhães - Tão ruim quanto a própria doença é o mau atendimento médico
Felipe Manhães - Atualizado em 06/05/2026 07:24
Felipe Manhães
Felipe Manhães / Reprodução
Pessoas procuram atendimento médico todos os dias por inúmeras razões, desde as menos graves, até o risco de morte iminente, e, por vezes, recebem diferentes atendimentos e diferentes diagnósticos, a depender da quantidade de médicos que os recepcionam.
Não vou tratar aqui das possibilidades de tratamento ou dos medicamentos que podem ser recomendados, pois nisso há um vasto leque de opções, que vão da escola do profissional, da região do país, da disponibilidade de recursos presentes, etc. E muitas vezes, vários métodos de tratamento ou cura diferentes levam ao mesmo resultado.
O que vamos tratar aqui é de como é inconcebível ser atendido por três médicos, por exemplo, e receber de cada um deles um atendimento diferente, um diagnóstico diferente, uma leitura diferente de um exame de raio-x que seja. Prestar atenção ao que está fazendo é o mínimo do mínimo em qualquer profissão. O contrário disso pode acarretar consequências gravíssimas a alguém.
Ouço de muitos clientes que o mesmo profissional médico dá um tratamento diferente aos pacientes quando os atende em seu consultório particular, no plano de saúde, ou em um hospital público.
Sei que esses profissionais devem ter seus motivos, mas o paciente, realmente, não tem nada a ver com isso. É falta de empatia. É traição a Hipócrates. É um esquecimento do juramento que se faz, de exercer a medicina com ética e responsabilidade, de respeitar a vida, de respeitar o paciente, de manter-se atualizado.
Não estou falando aqui de toda a classe médica, evidentemente, mas daqueles que desempenham a medicina como um empenho não linear a depender de onde e quem atendem, o que fere o Código de Ética Médica e pode ensejar a aplicação do rigor do Código Civil Brasileiro, do Código de Defesa do Consumidor, do Código Penal, entre muitas outras leis esparsas. Porém, a maior sanção será o peso constante e cumulativo na consciência de cada um.
Será que o mesmo atendimento que esses profissionais dariam a um filho, um parente próximo, um amigo, é o mesmíssimo dispensado a um desconhecido, ou em um hospital público? Torço para que seja. No entanto, o que tenho visto é que não são poucos os casos negativos. Talvez as expressões mais simples e que mais representem isso sejam "boa vontade" e "má vontade", a depender de quem você é, se você paga ou não, se está bem ou mal trajado, etc. Achar que isso não acontece é clara hipocrisia. Acontece em quase todo o lugar, não só nos ambientes da medicina, mas nele o que está em jogo é a saúde e a vida de uma pessoa.
Caso algo assim aconteça, o seu plano de saúde, a ANS, o Conselho Regional de Medicina, a ouvidoria do SUS, a ouvidoria do hospital, e até o Ministério Público e a Delegacia de Polícia são locais possíveis para receber denúncias de situações que fogem à ética e ao correto exercício da medicina, mas é sempre importante relatar o caso com responsabilidade e clareza. O cidadão não está desamparado.
E aos médicos, vale lembrar todos os dias que o verdadeiro propósito da sua profissão não é status, dinheiro, ou seja lá o que leva alguém a prestar vestibular para medicina hoje em dia. É cuidar das pessoas. É salvar vidas.

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