PF afirma que Thiago Rangel financiou campanha de Thamires com dinheiro desviado da Educação do Rio
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) nesta terça-feira (5), mostrou que a campanha de Thamires Rangel ao Legislativo campista foi abastecida com um esquema que movimentou R$ 2,9 milhões em caixa dois eleitoral. Apesar de ter anunciado desde sexta-feira (1°) sua saída do cargo de subsecretária estadual do Ambiente e Sustentabilidade, a filha do parlamentar foi exonerada nesta terça, pelo governador em exercício, Ricardo Couto.
A quantia apontada no relatório teria sido destinada ao financiamento de campanhas eleitorais de forma irregular. Segundo a PF, os valores teriam sido usados para a campanha de Thamires e outros candidatos ligados à base política de Rangel.
A investigação aponta que os repasses ocorreriam fora dos canais oficiais, caracterizando caixa dois eleitoral. Mensagens analisadas indicam a existência de um acordo político-financeiro entre integrantes do grupo, segundo a PF.
De acordo com a decisão, conversas entre Rangel e o operador financeiro indicam: articulação para liberação de obras; expectativa de retorno financeiro; planejamento de uso desses recursos em campanhas.
De acordo com a decisão, conversas entre Rangel e o operador financeiro indicam: articulação para liberação de obras; expectativa de retorno financeiro; planejamento de uso desses recursos em campanhas.
Em um dos trechos, a PF destaca que há menção à necessidade de definição com “Rodrigo”, interpretado como referência a Rodrigo Bacellar (ex-deputado e ex-presidente da Alerl), para viabilizar contratos e, consequentemente, os recursos associados.
Segundo o ministro, o esquema estava associado a contratos públicos na área de educação no estado do Rio de Janeiro. Os recursos fariam parte de uma engrenagem que combinava corrupção administrativa, direcionamento de contratos e financiamento irregular de campanhas políticas.
Segundo o ministro, o esquema estava associado a contratos públicos na área de educação no estado do Rio de Janeiro. Os recursos fariam parte de uma engrenagem que combinava corrupção administrativa, direcionamento de contratos e financiamento irregular de campanhas políticas.
Origem do dinheiro
De acordo com a decisão, os indícios apontam que os recursos teriam origem em um sistema de direcionamento de contratos públicos, envolvendo principalmente obras e serviços em escolas estaduais localizadas no Norte Fluminense.
A Polícia Federal descreve que o esquema operava a partir de: contratações direcionadas, muitas vezes por dispensa de licitação; uso de empresas previamente alinhadas ao grupo; execução parcial ou de baixa qualidade dos serviços; desvio de parte dos recursos pagos pelo Estado.
A Polícia Federal descreve que o esquema operava a partir de: contratações direcionadas, muitas vezes por dispensa de licitação; uso de empresas previamente alinhadas ao grupo; execução parcial ou de baixa qualidade dos serviços; desvio de parte dos recursos pagos pelo Estado.
Entre os exemplos citados na decisão estão contratos ligados a: reformas em escolas estaduais na região Norte e Noroeste Fluminense; serviços contratados por unidades escolares com recursos descentralizados da Secretaria de Educação; atuação anterior do grupo em órgãos municipais de Campos dos Goytacazes, como: a Câmara de Vereadores e a Empresa Municipal de Habitação (EMHAB).
Segundo a PF, esse modelo foi inicialmente estruturado no nível municipal e, posteriormente, replicado no âmbito estadual, ampliando o volume de recursos movimentados.
Estrutura financeira
Estrutura financeira
A decisão aponta que o esquema contava com uma estrutura organizada para viabilizar o fluxo de recursos e a interlocução com empresários. Um dos principais nomes citados é Luiz Fernando Passos de Souza, descrito como operador financeiro do grupo.
Segundo a investigação, ele atuava diretamente em nome de Thiago Rangel, sendo responsável por: intermediar contatos com empresários interessados em contratos públicos; negociar direcionamentos de obras e serviços; organizar a participação de empresas em processos licitatórios; viabilizar o fluxo financeiro entre os contratos e o núcleo político.
Segundo a investigação, ele atuava diretamente em nome de Thiago Rangel, sendo responsável por: intermediar contatos com empresários interessados em contratos públicos; negociar direcionamentos de obras e serviços; organizar a participação de empresas em processos licitatórios; viabilizar o fluxo financeiro entre os contratos e o núcleo político.
A decisão registra que Luiz Fernando se apresentava como representante de Rangel junto ao chamado “pool” de empresários. Um dos trecho da decisão aponta para a participação de Luis como homem de confiança do deputado Rangel.
“Ficou evidente também que essa relação direta com o ‘pool’ de empresários seria capitaneada por meio de Luis Fernando, que se colocara como representante do Deputado Estadual Thiago Rangel”, dizia um trecho do documento.
“Ficou evidente também que essa relação direta com o ‘pool’ de empresários seria capitaneada por meio de Luis Fernando, que se colocara como representante do Deputado Estadual Thiago Rangel”, dizia um trecho do documento.
A investigação também menciona empresas utilizadas no esquema, algumas em nome de terceiros ou “laranjas”, inclusive com atuação em áreas como: construção civil, prestação de serviços e fornecimento para obras públicas.
Com informações do G1