O apagão no espaço histórico ocorreu após furto de cabos de cobre em 25 de dezembro, dia de Natal do ano passado. Administrado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), o Museu no momento está fechado para visitação.
Os funcionários, que estariam em número reduzido, se revezam no horário das 9h às 16h, com trabalho interno por entre as salas no breu, em parte por questão de segurança impossibilitados de abrir as janelas.
A Folha esteve na última quarta-feira (4) no entorno do museu. Fechado, a equipe não teve acesso à área interna do prédio histórico. Também não foi constatada a presença de nenhum guarda zelando pelo patrimônio, cujos objetos guardados são únicos.
Representantes da cultura campista também se mostraram incrédulo com a situação. Alguns falam que o Museu sem luz por tanto tempo reflete o “abandono” e mostra o retrato "do desinteresse com a pauta da cultura". “A falta de iluminação apropriada e de controle climático compromete a integridade física das obras e acaba por contrariar as boas práticas museológicas e as normas de preservação”, disse a historiadora Graziela Escocard, diretora do Museu.
A relevância do templo da história de Campos é atestada, inclusive, com investimentos de fora, conseguidos via editais. Dois deles com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), dentro do “Programa de apoio a estudos para a recuperação e reestruturação de edificações históricas do Período Colonial (1500-1807), tombadas por instituições de patrimônio histórico, sediadas no Estado do Rio de Janeiro – 2024”. Verba que se aproxima de R$ 1 milhão.
No caso, o projeto “Um Solar para o Povo Campista: Projeto de Reformulação da Expografia e Modernização do Museu Histórico de Campos dos Goytacazes”, tem o apoio da UFF Campos, no valor de R$ 500 mil e também está paralisado. O projeto “Renovação da Infraestrutura Elétrica do Museu Histórico de Campos dos Goytacazes”, já concluído, teve apoio da Uenf, com aporte de R$ 480 mil. Curiosamente, para ser investido na iluminação do prédio.
Por meio de nota, a Fundação Cultural informa que o restabelecimento da energia elétrica do museu está em andamento, em articulação com a Secretaria de Serviços Públicos e o setor de Iluminação Pública. As etapas de levantamento técnico, aquisição dos materiais e preparação para a execução do serviço já tiriam sido realizadas.
Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, a intervenção encontra-se em fase final. No entanto, não há, neste momento, um cronograma fechado para a conclusão, uma vez que a execução está sob responsabilidade da Iluminação Pública. “As equipes seguem mobilizadas para a normalização do fornecimento de energia no menor prazo possível”, informa trecho da nota.
Em razão do furto dos cabos de cobre que ocasionou a interrupção do fornecimento de energia elétrica, a Fundação acabou por solicitar à Faperj a prorrogação dos prazos de execução dos projetos em andamento. “Ressalta-se que, no momento, não é possível contratar prestadores de serviço para atuarem no museu sem o restabelecimento da energia elétrica”, conclui a nota.
A Folha entrou em contato com a assessoria da Faperj para saber como acompanham a situação, já que vieram da fundação as duas maiores verbas recentes.
“É inadmissível que o Museu esteja fechado há mais de 45 dias por conta do furto de um cabo de energia, justamente em pleno período de férias, quando a cidade recebe turistas e quando a população tem mais tempo para acessar seus espaços culturais. O que parece um problema técnico revela, na verdade, um problema muito maior: o abandono estrutural dos equipamentos culturais do município.” Fernando Rossi - Diretor de teatro
“Acompanho pela imprensa as agruras porque passa o Museu Histórico de Campos, isso é o reflexo de como a cultura é tratada pelo poder público. O menosprezo pelo setor cultural é uma característica da formação e caráter dos governantes que passam pela Prefeitura. Eles não perceberam ainda que bons equipamentos culturais fazem parte do desenvolvimento local.” Carlos Freitas - Museólogo
“Agora estamos desenvolvendo um novo edital, o de uma nova expografia - UFF/Faperj e acontecem esses mais de 40 dias sem a resolução do caso do roubo dos fios de iluminação. Algumas pessoas pensam: como investir verba pública em um museu que a PMCG/FCJOL não cuida? Não é dinheiro jogado fora?” Sylvia Paes - historiadora
“O fechamento temporário de equipamentos culturais e é um problema recorrente. Um espaço como o Museu Histórico (único do município) fechado por mais de 45 dias devido à falta de luz denota certa incapacidade do poder público para gerir locais destinados à cultura. Geralmente ficam meses, até anos aguardando a solução do problema. É dever de todos cobrar a reabertura imediata.” Adriano Moura - escritor