Do barro, matéria-prima que acompanha a história da humanidade, nascem formas, sentidos e possibilidades de transformação. Dizem que até o homem surgiu dele. É nessa relação entre a matéria e a criação que a designer Maria Luiza Gomes Moço Araújo apresenta, na exposição “Um Vislumbre de Nós”, suas várias versões antes e depois da maternidade. Por meio da cerâmica, seus trabalhos serão apresentados ao público de 12 a 14 de novembro, no Palácio da Cultura, em Campos.
Designer, professora e ceramista, Maria Luiza deposita grande expectativa na apresentação de seu primeiro trabalho solo. Composta por peças em cerâmica, a exposição ocupará um espaço do Palácio da Cultura, no bairro da Pelinca, dividido por cortinas em cinco ambientes.
Na mostra, o público será convidado a percorrer esse caminho do início ao fim, conhecendo de onde ela partiu e em quem foi se transformando ao longo do tempo, pelas mãos e pelo barro. Nesse percurso, segundo a artista, há perdas marcadas pelo luto e cicatrizes, mas também alegria e força.
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“O público atravessa do início ao fim: vasos com flores, uma mesa de jantar que também é mesa de café da manhã, um jardim de britas com vasos caídos, um vaso sozinho com a minha mão e, por fim, a Maria Luiza que ficou depois de tudo. Não é uma exposição de tristeza nem de luto, e também não é de felicidade completa. É sobre as versões que existem dentro de mim, e a felicidade também está presente”, adianta a artista, que trabalha com cerâmica desde 2020 e assina o ateliê Malum - Cerâmica Utilitária.
Entre as obras, estão vasos de cerâmica com flores e vasos caídos com plantas brotando, peças pareadas e unidas pelas alças e três bustos que representam diferentes momentos: antes da maternidade, durante a gravidez e com o bebê no colo.
E, por falar em bebê, o segundo ambiente da exposição será totalmente dedicado a essa fase da vida da artista, que o batizou de “O Encontro”. Sobre a experiência da maternidade, ela apresenta uma reflexão que traduz o conceito da mostra:
“Ninguém avisa que, junto com ele, nasce também uma outra você. O chão se abre. Os vasos caem, racham, e da fissura brota a vida. O puerpério não é só do bebê, é o momento em que a mulher precisa se reconhecer em um corpo que ainda não sabe o seu nome”, explica o conceito.
As peças estarão à venda, mas a visitação à exposição será aberta ao público.
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Conversa rápida
Qual a expectativa para essa exposição? É a sua primeira?
Maria Luiza - Sim, é a minha primeira exposição solo. Minha expectativa é que quem passar pelo percurso se reconheça em algum pedaço dele. Não é só a história de uma mãe: é sobre mudar, se reajustar e se refazer.
O nome da exposição remete a alguma coisa especial?
Maria Luiza - “Um Vislumbre de Nós” é a Maria Luiza vislumbrada com todas as versões de si: a de antes, a da gravidez, a do puerpério e as que ainda vou encontrar. O nome também tem a ver com uma música que é importante para mim. Deixei o título aberto de propósito, para que cada visitante sinta que também faz parte dele.
A foto com seu filho tem algum significado?
Maria Luiza - Eu crio com as mãos, é assim que consigo me expressar. As mesmas mãos que ficam cansadas de criar são as que seguram meu filho. Trabalho com barro e, quando me tornei mãe, também vivi o que é gerar uma vida do zero e me refazer como mulher.