Você não é responsável pelo que entendem, mas pelo que você diz
Érica Viana 19/09/2026 10:16 - Atualizado em 19/09/2026 15:20

Cada um de nós é responsável pelo que diz, mas não por aquilo que o outro entende. Portanto, não se preocupe com a incapacidade cognitiva de uma massa, infelizmente deseducada, que tem como patrono da Educação alguém cuja obra não construiu nada, pelo contrário, desconstruiu o intelecto da maioria da população.

Cada um de nós é responsável pelo que diz, mas não por aquilo que o outro entende. Portanto, nunca se justifique. Você não é obrigado a justificar-se, principalmente, se ninguém cobrou isso. Justificativas atrapalham, demosntram fraqueza, dependência, escravidão da concordância.

Um exemplo corriqueiro: quando você está à mesa de um restaurante ou lanchonete com amigos ou empresários, e pede licença para levantar-se, ninguém precisa saber o motivo. Você não precisa e não deve anunciar se irá ao toilette ou outro lugar, e muito menos o que fará lá. Tampouco convide alguém para fazer-lhe companhia. Isso transmite insegurança. Afinal, um(a) marmanjo(a) precisa de ajuda para fazer suas necessidades? Sua mãe já não lhe desfraldou? – Simplesmente vá! E não pense se os outros vão achar que você deveria ter dito. -  Caso alguém pergunte após seu retorno, responda de forma descontraída: “Já voltei e estou aqui. Você está tão curioso(a), vou deixa-lo(a) na curiosidade”. (é uma forma sútil de dizer que “não é da sua conta”). E por falar nisso, se esse tipo indagação ocorrer, já saiba que quem a fez, é quem deve se sentir inconveniente e sem educação.

Casos de exceção -  para exemplificar, imagine uma situação de grande eventos onde você perceba ser, realmente, perigoso para uma moça perambular pela multidão e ficar naquela fila sozinha, será educado oferecer-se para acompanhar ou solicitá-la. Outras exceções: você sente que se sujou, ou sua roupa descosturou, ou está passando mal, sendo assediado(a), enfim, todas em que sinta necessidade de ajuda.

Cada um de nós é responsável pelo que diz, mas não por aquilo que o outro entende. Se você tem certeza de si, o juízo social é irrelevante. Colocar-se acima dele é elevar-se por sobre a população média. Isso conquista respeito e demonstra autoconfiança porque a maioria das pessoas não tem um córtex pré-frontal cerebral em suas sub-áreas tão bem estimulados, ou em outras palavras, a mesma coragem e independência de serem originais, firmes e resolutas. Elas te admirarão por isso, porque diferente delas, você não acompanha a maioria. E talvez até sentirão inveja. Então qualquer ataque, encare como elogio.

Quando você não permite ou não estimula a atividade do seu Córtex Pré-Frontal Dorsolateral, a todo instante você se sentirá inseguro e transmitirá esta insegurança e preocupação constante com a opinião dos outros. Por conseguinte, ficará mais ansioso do que o normal e com aquele sentimento de fracasso. 

Digamos que é neste Dorsolateral, que fica a tão famosa a tecla “Fodx-se”, ou seja, “Eu sei quem eu sou, o que disse, e dane-se o que o outro vai pensar. Não devo nada a ninguém. Não dependo de validação social. Sou eu quem paga meus boletos”.

Explicando em miúdos, enquanto outras áreas mais profundas e emocionais do cérebro buscam desesperadamente a aprovação dos outros, o “Dorsolateral” atua como um "freio” antes que você reaja por impulso ou mude seu comportamento em decorrência de sentir a rejeição alheia, ou de uma crítica que tenha recebido. Esta subárea também auxilia na manuteção de suas próprias convicções de modo que você consiga discordar publicamente da maioria, sem medo de ser ou não aceito.


Érica, mas como ativar essa área do cérebro? Bem, eu aprendi de uma maneira cruel. Na minha opinião nada supera o autoconhecimento, o reconhecimento da própria história, a construção de um bom repertório e o amor próprio. Contudo vamos a a alguns exercícios menos dolorosos, talvez: 


1 – Nomeie suas emoções!
Eis aí o poder do vocabulário e, portanto, de saber comunicar-se consigo mesmo: Estudos de neuroimagem mostram que o ato de nomear a emoção diminui a atividade dos centros emocionais e ativa imediatamente o Córtex Pré-Frontal Dorsolateral, permitindo que você observe a situação em terceira pessoa, isto é, do lado de fora.

2 – Pergunte-se sobre a relevância da opinião alheia!
- "Se eu mudar de opinião agora, estarei sendo honesto comigo mesmo?"
- "Qual é o pior cenário real se essa pessoa não concordar comigo?"
- "Estou agindo pelo que eu acredito ou apenas para evitar um desconforto temporário?"
- “Eu dependo da aprovação desta pessoa"? "É um crítico de restaurante avaliando meu prato"? “É meu chefe”? “Dependo desta oportunidade para sobreviver”? “É uma ordem judicial”?

3 – Pause, respire e pense!
Espere em silêncio de 5 a 10 segundos, quando sentir o impulso de ceder, concordar ou se justificar, pois este hiato impede uma resposta automática da amígdala (emocional) e dá tempo para o Córtex Pré-Frontal Dorsolateral assumir o comando do seu comportamento.

Questão para você responder em um caderno ou folha:

Você percebe que a sua autoconfiança costuma oscilar muito dependendo da opinião alheia, ou o seu objetivo é entender como treinar a mente para depender menos da aprovação dos outros?


Notou que tudo é comunicação! Até as partes do corpo humano que não conhecemos e que definem nossa comunicação externa.


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