Protesto expõe drama de pacientes com câncer à espera de regulação estadual em Campos
Evandro Barros
Uma manifestação pacífica realizada em frente à Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro trouxe novamente à tona uma das maiores angústias enfrentadas por famílias de pacientes oncológicos em Campos dos Goytacazes: a demora na regulação estadual para início do tratamento contra o câncer.

O ato foi liderado pelo vereador Anderson de Matos, que utilizou as redes sociais para denunciar a situação vivida por pacientes que aguardam há meses por encaminhamento e atendimento especializado. Segundo o parlamentar, somente neste ano 17 pessoas teriam morrido aguardando na fila de regulação estadual dentro do Hospital Geral de Guarus (HGG).

Em uma publicação que repercutiu nas redes, Anderson afirmou que “quem tem câncer tem pressa”, destacando que o diagnóstico não pode se transformar em uma sentença de morte em razão da burocracia e da lentidão do sistema público.

De acordo com os dados apresentados durante o protesto, atualmente existem 82 pessoas aguardando regulação em Campos dos Goytacazes, sendo que quatro pacientes com câncer de pescoço estariam esperando iodoterapia desde julho de 2025. O vereador também afirmou que famílias inteiras vivem diariamente o drama da incerteza, da dor e da espera por um tratamento que, em muitos casos, precisa começar imediatamente para aumentar as chances de sobrevivência.

A manifestação chamou atenção pelo simbolismo utilizado. Em frente ao prédio da Secretaria Estadual de Saúde, flores e um caixão cenográfico foram posicionados como forma de representar, segundo os organizadores, as vidas perdidas enquanto pacientes aguardam vagas e encaminhamentos.

O tema já vem sendo debatido por autoridades locais e veículos de imprensa da região Norte Fluminense. Recentemente, matérias publicadas em portais de notícias destacaram a preocupação com a lentidão do Sistema Estadual de Regulação (SER) para pacientes oncológicos.

O problema também não é recente. Casos de pacientes aguardando cirurgias e tratamentos oncológicos por meses já haviam sido noticiados anteriormente, incluindo relatos de pessoas com câncer enfrentando atrasos por entraves na regulação estadual.

Embora o Município de Campos tenha esclarecido anteriormente que existe um fluxo específico para atendimento de pacientes com suspeita ou diagnóstico de câncer, a crítica principal feita durante a manifestação recai justamente sobre a demora da etapa estadual de regulação e autorização dos tratamentos especializados.

A manifestação promovida por Anderson de Matos evidencia um debate que ultrapassa divergências políticas: o direito constitucional à saúde e à dignidade humana. Em casos de câncer, o tempo costuma ser decisivo. Cada semana de atraso pode representar a progressão da doença e a redução das chances de recuperação.

Em meio ao crescimento da pressão popular, familiares de pacientes esperam que o protesto provoque uma resposta efetiva das autoridades estaduais. Afinal, para quem enfrenta um diagnóstico oncológico, esperar pode significar perder a única oportunidade de tratamento em tempo hábil.

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    Sobre o autor

    Evandro Barros

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    Advogado, historiador, escritor (+ de 10 livros) e pesquisador, com especialização em Direito Tributário; mestre em Cognição e Linguagem e Doutorando em Políticas Sociais - UENF, com tese dedicada ao Licenciamento Ambiental. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas (MG).