Por conta da política, jornalista de Campos quase é agredido em Macaé
Saulo Pessanha 20/09/2026 09:56 - Atualizado em 20/09/2026 09:59
O jornalista Ricardo André Vasconcellos, em 1989, na primeira campanha presidencial depois do período militar, trabalhava na TV Norte Fluminense, que, na época, retransmitia a Rede Globo.

Ricardo foi escalado para fazer a cobertura da visita do então candidato Fernando Collor de Mello a Macaé, na reta final da campanha para o segundo turno.

Como os colegas da imprensa campista, Ricardo André enfrentava constrangimentos todas as vezes que ia fazer alguma matéria em terras macaenses.

Muito pela rixa histórica entre moradores das duas cidades, e ao fato de os macaenses não contarem com emissora de TV, obrigando-os a assitir a programação gerada em Campos.

Daí que, ao acompanhar a visita de Collor, Ricardo escapou de apanhar, vítima da intolerância dos vizinhos e de petistas que julgavam que todos os que trabalhavam nas afiliadas da emissora do Dr. Roberto Marinho pensavam como ele.

Na coletiva de Collor de Mello, Ricardo André conseguiu até fazer uma pergunta à qual o candidato, por considerá-la incômoda, olimpicamente, ignorou. Encerrada a coletiva, Ricardo André passou um sufoco para voltar ao carro da emissora.

Ricardo André acabou se perdendo do resto da equipe e, mal tinha afrouxado a gravata, foi cercado por várias pessoas que lhe dirigiram impropérios, ora por ser campista, ora por trabalhar para Roberto Marinho, o "imperialista collorido".

O que salvou Ricardo foi que ele — por uma advertência prévia do anjo da guarda — havia colado um adesivo da campanha de Lula na parte interna da lapela do paletó.

Foi o que o livrou dos agressores:
— Eu não sou empregado de Roberto Marinho, não! Eu sou trabalhador, tão explorado quanto vocês. Olha aqui, ó! Eu voto em Lula!

Ricardo André Vasconcellos saiu aplaudido. Mas, confessa, por pouco escapou de borrar as calças.


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