Hoje, nem tanto. Mas, antigamente, em São João da Barra, quase todo mundo tinha um apelido. É que o povo sanjoanense tem um senso caricatural inigualável, de modo que os apelidos sempre colam.
Assim é que o jornalista Silvio Fontoura ficou conhecido como “maracujá de gaveta”. Nem o pessoal do Judiciário se livrava. Uma das vítimas foi um Promotor Público, recém nomeado, que chegou a São João da Barra por via marítima.
O novo membro do Ministério Público era baixinho e de cabeça grande. E falava empolado. No desembarque, abordado por um carregador, pediu que levasse a sua mala para o “melhor hotel desta Comarca”.
O carregador olhou para o homem, para a sua cabeça, que, pelo tamanho avantajado, contrastava com a sua baixa estatura e lá se foi com a mala.
Quando chegou ao hotel, lhe perguntaram de quem era a mala. A resposta: — É de um cabeça de Comarca que já vem vindo aí.
O homem ainda estava a caminho do hotel, e já ganhara um apelido que carregou durante todo o tempo em que atuou na cidade.