Mobilidade urbana e democracia
Daniela Bogado e Danielly Aliprandi 25/09/2026 09:48 - Atualizado em 25/09/2026 09:49
Fernando Frazão, Agência Brasil
O período eleitoral muda a percepção da paisagem urbana cotidiana. Passeatas, carreatas, entregas de panfletos nas calçadas e uso de bandeiras móveis ocupam o espaço público e dão visibilidade à propaganda política nas ruas. Por um lado, isso amplia o alcance da esfera pública contemporânea; por outro lado, porém, gera certa poluição visual e sonora nas vias públicas, mudando (apesar das regras de disciplinamento da questão) a lógica da circulação cotidiana, além de configurar a superficialidade do debate político nesses formatos.
Esse contexto, ainda que pontual e temporário, deve nos levar a pensar a pauta da mobilidade urbana nas campanhas eleitorais, prestando atenção ao que propõem os(as) candidatos(as) em seus planos e pronunciamentos, observadas as competências próprias dos cargos que disputam. Como se sabe, vamos eleger nossos representantes no Executivo e no Legislativo nas instâncias federal e estadual. O nível municipal não está diretamente em jogo nessa eleição, mas é importante ponderar o quanto as propostas políticas sobre mobilidade urbana podem suscitar articulações ou embasamentos às ações locais, afetando nossas cidades.
Indubitavelmente, a mobilidade urbana é um tema crítico para o campo do planejamento urbano nacional, regional e local. A dependência automobilística revela parte das dificuldades e restrições para a superação de um sistema econômico fortemente baseado em combustíveis fósseis, relacionado ao espraiamento urbano e às limitações ao uso do transporte público coletivo de qualidade. Notemos que, na cabeça de muitos de nós, deslocar-se de automóvel ainda é tido como se fosse o “padrão”, e tudo o mais que se ajuste!
Essa realidade nos leva a refletir sobre o problema da mobilidade a partir da promoção e defesa do transporte coletivo como um direito social (incluindo políticas de subsídio e tarifa zero); da valorização da mobilidade ativa (focando especialmente pedestres e ciclistas); da priorização da vida (zero morte no trânsito); do incentivo à mobilidade ferroviária e hídrica; e, ainda, do enfrentamento à emergência climática (zero emissão). Tudo isso tem em vista a conquista de cidades mais justas, acessíveis, inclusivas, saudáveis e sustentáveis.
Desta forma, observa-se que a questão da mobilidade não se coloca de maneira isolada no planejamento urbano e socioambiental, mas permeia um conjunto de áreas que precisam ser discutidas de forma intersetorial e participativa.

Daniela Bogado é professora do IFF campus Campos Centro, pesquisadora do Núcleo Norte Fluminense do INCT Observatório das Metrópoles, do Ateliê de Pesquisas da Paisagem (APPA) / Laboratório de Mobilidade (MobiRede).

Danielly Aliprandi é professora do IFF campus Campos Centro, pesquisadora e coordenadora do Ateliê de Pesquisas da Paisagem (APPA) / Laboratório de Mobilidade (MobiRede).

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