Cofundadora de escola de serviço social que deu origem à UFF Campos, Conceição Muniz terá história contada em filme
Matheus Berriel 26/08/2026 16:32 - Atualizado em 26/08/2026 16:52
Conceição Muniz completa 96 anos em setembro
Conceição Muniz completa 96 anos em setembro / Foto: Rodrigo Silveira
Prestes a completar 96 anos, Conceição Muniz terá a sua história contada em um filme. Começou a ser gravado no final da última semana um documentário sobre a vida da assistente social e professora aposentada, uma das principais responsáveis pela criação da Escola de Serviço Social de Campos, embrião da Universidade Federal Fluminense (UFF) no município.
— Fui convidada por duas assistentes sociais e professoras da UFF, Verônica Azeredo e Thais Côrtes, juntamente com o José Jorge, sobrinho-neto de Conceição Muniz, para realizar o documentário — conta a cineasta Carolina de Cássia, diretora e roteirista do longa-metragem. O roteiro ficou pronto na semana passada, e as filmagens  estão sendo feitas em parceria com o fotógrafo Thiago Thomas. Segundo a diretora, depoimentos coletados ajudarão a contar a trajetória da homenageada, da infância aos dias atuais.
— Assim que conseguirmos recursos para a pós-produção, definiremos a data da estreia. Desejamos que o filme seja finalizado este ano. Nosso trabalho é voluntário, entendendo a relevância de Conceição para a história de Campos — enfatiza Carolina de Cássia.
Filha da professora Maria Teresa da Costa Muniz e do barbeiro Valdovino “Morgado” Muniz, que também atuou na Recebedoria de Rendas, Conceição de Maria Costa Muniz nasceu em Campos, no dia 12 de setembro de 1930. Alfabetizada pela própria mãe, fez toda a educação básica no Liceu de Humanidades, onde se formou em 1949. No início da carreira como professora, lecionou no Instituto Perissé Duarte e no Jardim de Infância do Serviço Social da Indústria (Sesi). Em seguida, se mudou para Niterói a fim de cursar a Escola de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro, uma das instituições que deram origem à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uferj), rebatizada como UFF em 1965.
Formada em serviço social, Conceição Muniz retornou à sua cidade natal abraçando uma missão: a interiorização da Uferj, planejada por Violeta Campofiorito Saldanha da Gama. Junto à professora Heloísa Monteiro Paixão, ajudou a criar a Escola de Serviço Social de Campos, em 1962, originalmente como um setor regional da Escola de Serviço Social de Niterói, até virar departamento. Foi professora da própria UFF Campos após a implementação desta, e atualmente é homenageada emprestando seu nome ao diretório acadêmico do curso de serviço social. Como assistente social, trabalhou no Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), mais tarde Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), onde se aposentou em 1990.
Para além da atuação profissional, Conceição Muniz colaborou com outras causas. Uma delas foi a construção do Educandário para Cegos São José Operário, em 1963. Na época, foi contribuinte mensal em uma campanha para angariar recursos. Seis décadas depois, seria aluna da instituição, após ter perdido a visão em decorrência de retinopatia diabética, diagnosticada há cerca de oito anos. Foi no São José Operário que, durante uma aula de braile, aprendeu com a professora Solange do Rosário Gama uma frase que adotou como lema: "Se precisar de ajuda, peça; se não precisar, dispense.
Em 2021, Conceição Muniz publicou o livro de memórias "Pelos Olhos da Alma". No ano seguinte, ganhou do Conselho Municipal de Cultura o Prêmio Alberto Lamego, maior honraria do setor cultural em Campos. Em 2023, recebeu homenagem no enredo do desfile do Bloco de Samba Castelo do Parque Aurora. E em junho deste ano, foi eleita integrante da Academia Campista de Letras (ACL), passando a ocupar a cadeira 25.
Conceição Muniz ajudou a fundar a Escola de Serviço Social de Campos em 1962
Conceição Muniz ajudou a fundar a Escola de Serviço Social de Campos em 1962 / Foto: Acervo pessoal

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