'Tocar para o povo é o que vai ajudar a formar o futuro do Brasil', afirma Moacyr Luz
Matheus Berriel 23/08/2026 12:40 - Atualizado em 23/08/2026 12:41
Moa se apresentou no Jardim do Liceu neste sábado
Moa se apresentou no Jardim do Liceu neste sábado / Foto: Matheus Berriel
Quem esteve no Jardim do Liceu na tarde deste sábado (22), prestigiando o retorno de Moacyr Luz a Campos após três anos, pôde comprovar os benefícios da cirurgia de estimulação cerebral profunda feita pelo cantor e compositor carioca há 10 meses. Sem o tremor constante nas mãos que o acompanhava desde 2008, quando foi diagnosticado com a doença de Parkinson, Moa foi a atração principal do projeto Trem do Samba Pelas Estradas, que também levou ao palco Marquinhos de Oswaldo Cruz, o acordeonista Kiko Horta e o grupo Samba na Praça do Liceu.
Entrevistado ao final do evento, Moacyr Luz comentou a oportunidade de cantar num evento a céu aberto e levar ao público sucessos dos seus quase 50 anos da carreira. Sambas da Portela e da Mangueira também fizeram parte do repertório, além de músicas consagradas no Samba do Trablhador. A evolução do seu quadro de saúde foi outro assunto do bate-papo pós-show, encerrado com uma manifestação do amor pelo Flamengo.
Blog do Matheus Berriel — Moacyr, sua última vinda a Campos tinha sido em julho de 2023, para um show no Teatro do Sesc. Hoje, a apresentação acontece numa praça da cidade, integrando o Trem do Samba Pelas Estradas. Na sua visão, qual é a importância de eventos como esse?
Moacyr Luz — Não tem preço você estar tocando para o povo e ter um apoio cultural de uma Petrobras, por exemplo, como é o caso, ou alguma outra entidade que fosse. É isso que vai ajudar a formar o futuro do Brasil. As crianças e os jovens que eu estou vendo e encantando vão ouvir mais a gente, vão ter mais referência. Tanto os shows fechados quanto os abertos são importantíssimos. Três anos depois, vir a Campos e ver uma plateia dessa, tão bonita, não tem preço.

Quem acompanha a sua carreira percebe que foi nítida sua evolução após a cirurgia realizada no ano passado...

— Ah, rapaz... Eu estava com Parkinson desde 2008, ainda estou, mas agora a minha recuperação mudou 80%. Hoje, estou segurando um copo de bebida e não tremo a mão, nem o braço, nem a boca. Posso ter mais autonomia, ser mais independente, voltar a tocar alguma coisinha. Isso é muito importante para mim. Estou compondo, isso me deixa muito feliz.
Musicalmente, também fez muita diferença?
Só não fez mais porque eu sempre fui um cara teimoso. Mesmo bem caidinho, eu estava lá compondo, compondo. Raramente eu falto a algum compromisso por causa de saúde. Se eu marco um show, eu vou. Então, isso ia me ajudando. Mas, estou muito feliz.

Em 2026, você completou 47 anos de carreira. Além de liderar o tradicional Samba do Trabalhador, acabou de lançar um álbum com o Gabriel Moura. Tem outros projetos pela frente?
— Toquei agora, quinta-feira, com ele (Gabriel Moura). Sobre os projetos, você falou igual a uma repórter que foi entrevistar o maestro Villa Lobos e perguntou se ele estava compondo algo. Ele respondeu: "Minha filha, a essa altura altura, eu estou decompondo" (risos).

Mas você continua muito produtivo...
— Graças a Deus!

Daqui a cerca de meia hora (na noite de quinta-feira), o nosso Flamengo entra em campo pelo Campeonato Brasileiro. Qual é a sua expectativa?
— A melhor! Nós somos incomparáveis! O Flamengo é, acima de tudo, incomparável!
Moa se apresentou no Jardim do Liceu neste sábado
Moa se apresentou no Jardim do Liceu neste sábado / Foto: Matheus Berriel

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