Teresópolis – Neymar não sai das manchetes. Depois de monopolizar as discussões sobre a validade de sua convocação para a copa do mundo, agora o assunto é a nova contusão do craque brasileiro. Neymar sofreu lesão (de grau 2, numa escala de 1 a 3) do músculo na panturrilha direita, e precisa de pelo menos duas semanas para se recuperar e voltar a treinar e jogar.
A informação foi dada aqui na Granja Comary pelo médico da Seleção, Rodrigo Lasmar. Isso significa, de cara, que ele não jogará os amistosos contra o Panamá (neste domingo, 31) e contra o Egito (dia 6 de junho). Com sorte poderá ficar disponível para a estreia contra o Marrocos, dia 13 de junho, mas com que preparo? Se o debate sempre foi sobre suas condições físicas – e nunca sobre sua capacidade técnica – Neymar precisaria ser recondicionado durante a copa, perdendo talvez os jogos contra Marrocos e Haiti e só ficando disponível a partir do jogo contra a Escócia. A batata quente está nas mãos de Ancelotti, que relutou muito a se convencer da necessidade de ter Neymar no elenco e agora pode ser forçado e convocar outro jogador. Até 24 horas antes da estreia, ou seja, até dia 12, a Fifa permite a substituição de um jogador lesionado. Fica a dúvida: vale a pela esperar? Se a conclusão for sim, a possibilidade maior de ver Neymar em campo jogando seu futebol em plenitude é nas fases eliminatórias (depois de curado da lesão precisará de recondicionamento físico).
A situação é parecida com a que a seleção viveu em 1998 com Romário. Naquela oportunidade a comissão técnica não pagou pra ver. Como Romário só jogaria na terceira partida da copa, optou pelo corte; e Romário chorou na entrevista a seguir. Neymar tinha demonstrado sua alegria de voltar ao ambiente da seleção e está decepcionado agora. A razão indica que o corte acontecerá. Só a questão emocional – ou a comoção popular – pode mudar o rumo das coisas. Mas o universo parece conspirar contra Neymar na Copa. Enquanto isso o CT da CBF, aqui em Teresópolis, ferve, mais e mais jornalistas se credenciam para cobrir os treinos. Na coletiva desta sexta Rayan, ansioso por jogar, disse que a galera da Barreira do Vasco espalhou a imagem dele pelos becos e vielas da comunidade.
Histórias de Copa do Mundo
Copa de 1998, na França, a cobertura da Seleção era intensa. Só a TV Globo tinha 150 profissionais envolvidos. O Brasil sempre foi a seleção mais aberta à presença da imprensa e havia quase mil jornalistas vendo os treinos. A expectativa geral era ver juntos no ataque Bebeto, Romário e Ronaldo Fenômeno. Quando o assessor de imprensa Nelson Borges anunciou uma coletiva de emergência da comissão técnica os rumores pipocaram: ”Romário vai ser cortado”. O dr. Lídio Toledo deu a notícia e o salão com os jornalistas se transformou numa torre de babel, com a notícia falada em todas as línguas do mundo.