Arthur Soffiati - Arte cinematográfica em tópicos
* Arthur Soffiati 30/05/2026 11:07 - Atualizado em 30/05/2026 11:08
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Cinema como arte. Como forma de expressão artística, o cinema começou no fim do século XIX. Desde o Renascimento, a imagem tenta se movimentar. Primeiro com a pintura. Depois com a fotografia. Em seguida, com os quadrinhos. Há dificuldade por parte do espectador e do crítico em ver a peculiaridade do cinema como arte. Assim, público e crítica concentram-se no roteiro, que é mais literatura. Ou na atuação dos personagens, que confina com o teatro. Tanto assim que, nos seus primórdios, o cinema ficou conhecido como teatro filmado. Trilha sonora? É música. Então, o que distingue o cinema em relação às outras artes? É ele uma mistura de outras? Entendo que é a fotografia em movimento. Não se trata de descurar o roteiro, a interpretação e o som, mas de valorizar a fotografia em movimento. Alguns críticos perceberam com clareza este traço.

Gêneros. Os gêneros se multiplicaram com o cinema. Além do drama e da comédia, contamos com o suspense, com a ficção científica, com o terror, com o western, com muitos subgêneros. Continuou com a divisão básica em drama e comédia. A ficção científica é basicamente drama que pode conter momentos cômicos. O mesmo com o suspense. Hitchcock, mestre do suspense, colocava sempre uma pitada de humor em seus filmes. O terror não é apenas um filme que causa muitos sustos, mas um drama em que entra o sobrenatural. O western é também um drama que pode ter ou não pitadas de comédia ou o contrário: comédia com pitadas de drama. Os diretores dos primórdios do cinema pareciam estar mais conscientes da peculiaridade do cinema como arte.

Filme B e filme trash. Entre 1950 e 1970, saíram dos porões dos grandes estúdios filmes de baixo orçamento. Por escassez de recursos, os filmes eram filmados em preto-e-branco. Os atores faziam parte do segundo e terceiro escalões. As produções eram feitas em pouco tempo. Em uma semana, podia se fazer um ou dois filmes. Observar que não eram filmes que ironizavam o cinema, mas que se levavam a sério. Nos Estados Unidos, o grande nome do filme B foi Roger Corman. Ele fez de tudo: montava cenários, fazia cartazes de divulgação, dirigia, filmava, produzia. Mergulhado no mercado do cinema, ele não discutia regras. Lançou atores e bancou a produção de grandes diretores. Mas há também outros nomes, como Nathan Juran e Jack Arnold, que também dirigiram filmes de alto orçamento, contando, inclusive, com Ray Harryhausen, o mestre dos efeitos especiais. Ainda nos Estados Unidos, registre-se Ed Wood, que só conseguiu dirigir filmes de baixo orçamento. Na Itália, sobressai-se o nome de Mario Bava, diretor que soube sempre valorizar a arte do cinema naquilo que lhe é particular: a fotografia em movimento.
O filme trash, por outro lado, pode resultar de baixo ou alto orçamento. Sua marca distintiva é ironizar o cinema. Tomemos o caso de “Rubber, o pneu assassino”. Os especialistas o classificam como terror, comédia, ficção científica, drama, humor ácido, fantasia, comédia de terror e mistério. Essa mixórdia de categorias redundantes indica a incapacidade de perceber que se trata de um drama que debocha do próprio drama colocando um pneu como protagonista. Se tudo pode ser assassino, por que não um pneu, que aspira chegar a Hollywood? E há filmes trash até interessantes quanto ao valor cinematográfico.

Crítica de cinema. Os críticos de cinema concentram sua atenção no aspecto literário (roteiro) e teatral (atuação). A trilha sonora não merece muita atenção. A fotografia em movimento também não, a menos que ela chame muito a atenção. No Brasil, destaco o nome de Antonio Moniz Vianna, que muito me marcou com suas longas críticas diárias na imprensa carioca. Alguns outros nomes se destacam. A maioria, porém, não coloca as cartas na mesa. Não explicita os critérios de que se utiliza em suas apreciações. No geral, é preciso atender ao público valorizando a história e a interpretação.

Campos. A história da crítica de cinema em Campos está por ser feita. Os nomes que mais se destacaram no passado foram os de Vilmar Rangel e de José Amado Henriques. Atualmente, praticam a crítica de cinema de forma continuada Aluysio Abreu Barbosa, Filipe Fernades e Edgar Vianna de Andrade, pseudônimo que criei para mim mesmo, homenageando Edgar Morin, Antonio Moniz Vianna e Mário de Andrade, todos eles vendo algo mais nos filmes que apenas roteiro e intepretação. Acabo de ler “A crítica de cinema em Belém”, de Pedro Veriano (Secretaria de Estado de Cultura, Desportos e Turismo, 1983). O autor coordena uma pesquisa sobre a crítica de cinema na capital do Pará desde seus primórdios, em 1928. Já se escreveu bastante sobre cinema em Campos para merecer um livro semelhante. Não contendo tudo o que se escreveu em termos de crítica, mas fazendo uma amostragem.









*Professor, escritor, historiador, ambientalista e membro da Academia Campista de Letras.

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