A Copa do Mundo Fifa 2026, a primeira a ser disputada em três países, vai custar muito caro a quem se dispuser a viajar aos Estados Unidos, México ou Canadá para ver os jogos. E não são apenas os ingressos e a hospedagem que estão superfaturados. Um simples deslocamento por transporte público vai abalar o orçamento do turista/torcedor. Se na Copa do Catar foi fácil chegar aos estádios, porque as linhas de metrô chegavam bem perto, graças a um sistema inteligente que integrava as linhas, e tinha preços acessíveis, nos Estados Unidos os valores estão em disparada. O transporte de ônibus para o estádio de Boston (que fica a 45 km do centro) foi fixado em 95 dólares (R$ 474,00, na cotação de hoje).
A passagem de trem, que é cobrada a 20 dólares nos jogos atuais da NFL, passa para 80 dólares na Copa. Ir de carro vai doer ainda mais no bolso, pois o estacionamento no estádio vai sair por R$ 874,00. Em Nova Iorque/Nova Jersei, o MetLife Stadium vai abrigar a estreia do Brasil contra o Marrocos (13 de junho) e a Final da Copa (19 de julho).
O bilhete de trem da estação da Pensilvânia ao estádio, que custa hoje 13 dólares, já se projeta que custará perto de 100 dólares durante os jogos. E quando se fala em preços de ingressos parece algo irreal para os padrões do brasileiro. Se no Catar, em 2022, os ingressos partiam de 344 reais, nesta Copa começam em 2 mil reais, podendo subir de acordo com a relevância do jogo. Assistir à Final da Copa só para os muito ricos: algo em torno de 30 mil reais o ingresso.
A Fifa apostou no alto poder aquisitivo dos norte-americanos. Nas contas do viajante à Copa é preciso contabilizar hospedagem. Leva vantagem quem tem parentes ou “velhos amigos” morando nos States, porque, depender da rede hoteleira vai ser sofrido. Hotéis das cidades sedes, que praticam diárias de 150 dólares, já estão cobrando de 400 a 500 dólares para o período dos jogos. A Copa do Mundo é uma mina de dinheiro para a Fifa. As emissoras de TV pagam fortunas pelos direitos de transmissão e a Fifa retirou da TV Globo, a exclusividade para o Brasil, que ela detinha até à Copa do Catar. Este ano o SBT e a Cazé TV também puderam comprar os direitos, triplicando os ganhos da Entidade máxima do futebol.
E até as emissoras de rádio foram duramente castigadas, pois os direitos de rádio passaram de 200 mil dólares para 500 mil dólares, por emissora. O total que a Fifa arrecada, numa única Copa, transformado em notas de cem dólares, não caberia na caixa forte do Tio Patinhas, o velho personagem das histórias em quadrinhos.
Histórias de Copa do Mundo
Futebol tem tantos regulamentos que o repórter se confundiu todo na cobertura das eliminatórias da Copa de 2006: “A Bolívia vai tentar surpreender o Brasil aproveitando-se da altitude. Os bolivianos não têm mais chance de classificação, mas seu objetivo é sair da zona de rebaixamento”. Rebaixamento nas eliminatórias? Uau, falha nossa!