Verônica Nascimento
16/07/2020 18:31 - Atualizado em 24/07/2020 18:33
José Salles sepultado no Campo da Paz
José Salles sepultado no Campo da Paz
José Salles sepultado no Campo da Paz
Vítima da Covid-19, faleceu na noite de quarta-feira (15) e foi sepultado no cemitério Campos da Paz na tarde desta quinta (16) o radialista e escritor José Florentino Salles. Ele tinha 97 ano e estava internado desde o último dia 4 no Centro de Combate ao Coronavírus (CCC), na Beneficência Portuguesa. Familiares e amigos se despediram e lamentaram a perda do profissional que começou no rádio em 1949, na antiga Rádio Educadora do Rio de Janeiro, PRB 7, posteriormente, Rádio Tamoio. Em Campos trabalhou em quase todas as emissoras AM, tendo sido locutor, animador de auditórios, redator, noticiarista e produto, conforme destacado no blog Ponto de Vista, do diretor financeiro do Grupo Folha, Christiano Abreu Barbosa. José Salles encerrou, há cerca de 4 anos, sua carreira na emissora Continental, hoje Rádio Folha FM.
No Campo da Paz, familiares e amigos se reuniram para a despedida. “Eu acho que qualquer pessoa que conviveu com ele, que ouviu meu pai no rádio, sabe que a alegria era uma coisa marcante na vida dele. Meu pai era aquela pessoa que não deixava o astral de ninguém cair. A gente foi criado dentro de uma cheia de livros, porque ele sempre envolvido em escrever, em muita leitura. Ele jamais corrigiu um filho de maneira brusca, áspera. Uma pessoa que me ensinou e ensinou muitas pessoas a sonhar. , porque ele sempre achava que as coisas eram viáveis e não desanima nem a ele nem a quem estivesse do seu lado. É um exemplo que está inda, mas que fica e fica a saudade. E a gente agradece a Deus a vida de 97 anos dele. Eu posso dizer que tive 64 anos do lado do meu pai e onde ele está, está sorrindo e o que deixa é esse exemplo de alegria”, declarou, emocionada, a filha de José Salles, Silvia Regina Vasconcelos Salles.
Meu avô, ao mesmo tempo, significou muito para muita gente. Difícil dimensionar o o tamanho do meu avô e a quantidade de pessoas que chegou através de sua voz e sua cultura. Ele era muito culto, muito inteligente, mesmo só tendo estudado até a terceira série. As coisas que ele produziu, muitos textos, poesias, muitos ainda teremos de reunir. Falar de meu avô é falar de fé, amor à vida e gratidão. O legado que deixa é o da cultura – declarou Davi Tinoco Salles Pereira, neto do radialista.
O blog Ponto de Vista lembrou que José Salles ficou popularmente conhecido no rádio campista com os programas de auditório "Gurilândia" e "Domingo Alegre", já no formato de estúdio. Além do rádio, ele teve uma notável passagem na literatura, era membro da Academia Pedralva de Letras e Artes, da Associação de Imprensa Campista, dos Quadros da Loja Maçônica Fraternidade Campista, do Oriente de Campos dos Goytacazes e da UBT – União Brasileira dos Trovadores, entre outras. Dentre os seus livros publicados estão: "Troversando", em parceria com Walter Siqueira e o trovador Dr. Alcemilson Pessanha Gomes, além de "Minha Vida em Trovas" e "Era Isso que eu Queria Dizer".
José Salles recebeu diversas homenagens, tanto como escritor quanto radialista. Entre as principais estão a "Ordem Benta Pereira", a maior comenda do município, concedido pela Câmara Municipal de Campos, o Prêmio "Alberto Lamego", maior comenda em relação à cultura, e a "Medalha Tiradentes". A Academia Campista de Letras emitiu nota de pesar, informando a morte do ocupante da cadeira 32, cujo patrono é Nilo Peçanha.
- “Seu Salles” viveu a rádio, promoveu a rádio em sua era de ouro e a sustentava enquanto a televisão ganhava audiência. Eu o vejo como credor da existência e permanência da rádio, especialmente AM, e temos um débito enorme com ele, que sempre foi muito atencioso, paciente. Era editor e redator, na época em que a rádio tinha uma grande estrutura, e passava os conhecimentos dele com simplicidade, de forma simples, deixando a gente que estava aprendendo confiante de que conseguiríamos fazer rádio também. Devemos muito a ele. Credito a ele eu estar nessa profissão - destacou o radialista Cláudio Nogueira.
Outro radialista que lamentou a perda de José Sales foi Antunis Clayton. “Salles era resistente, o mais antigo radialista do Brasil no ar, finalizando sua carreira há uns quatro anos na Continental, hoje Folha FM. Muito atencioso, sempre gentil. Seu programa era cheia de prosa, poesia, trovas. Ele era um trovador, presidiu a Academia Pedralva. Promovia encontros de radialistas e escritores. Não cheguei trabalhar com ele, mas ele era respeitado como pioneiro na radiofonia e muito querido por todos”.