E ainda há quem bata palmas para a falência do Estado
07/01/2017 22:39
Já me meti em muitas brigas com pessoas queridas — outras nem tanto — por defender os direitos humanos. Realizo o esforço sobre-humano e muitas vezes perco o controle e acabo me tornando aquilo que mais repugno: alguém que não consegue ouvir uma opinião contrária e respeitá-la. Mas confesso que além de desconfiar da falta de amor daqueles que afirmam que uma chacina deveria ocorrer por semana nos presídios brasileiros, também duvido da falta de inteligência. Afinal de contas, como são capazes de bater palmas para um fato que só aconteceu pela existência de um Estado fraco, falho e desonesto?
Não estamos discutindo se o dinheiro publico deve ou não ser gasto na manutenção de sistemas prisionais. Os sistemas prisionais existem. Já que eles existem e são tão caros, por que não funcionam?
Um preso custa em média no Brasil R$ 2400,00. Na penitenciária do Amazonas, com a terceirização de diversos serviços, inclusive de administração, ele custa mais de R$ 5.000,00. Como em um sistema tão caro, os índices de ressocialização são tão baixos?
Como que gastando tanto dinheiro, o Estado não consegue garantir nem que presidiários que estão sobre a sua tutela pessoas permaneçam vivos?
O Estado vive em estado de falência. Não oferece educação, saúde, emprego ou lazer. Não acreditamos em políticos, em juízes ou na polícia. E em uma situação dessas ainda há quem comemore o fato, vejam só, dele estar em ruínas.
Outra pergunta: como daremos um passo adiante, se diante do fato de que quase 100 pessoas foram assassinadas, torturadas e esquartejadas ainda estamos discutindo quem merece ou não ter os direitos garantidos?

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    Camilla Silva

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    O blog Preto no Branco nasceu com a intenção de desfazer boatos, mentiras criadas e difundidas, respostas duvidosas de assessorias, entre outros. A autora é jornalista e advogada.

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