Enquanto a ONU projeta que a população com mais de 60 anos, 12,3% da parcela global no ano passado, dobre daqui a 55,8 anos, o Brasil terá o seu quinhão em apenas 24,3 anos. Por aqui, a fatia de habitantes idosos é de 11,7%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). No mesmo 2015 como marco, 75,6% das pessoas com mais de 60 anos estavam aposentados e/ou eram pensionistas.
A vulnerabilidade está exposta. E se a aposentadoria não está garantida, trabalho também é recurso escasso para quem envelhece. Na década encerrada em 2015, o nível de ocupação dessa faixa etária caiu de 30,2% para 26,3%. Acumular aposentadoria e trabalho também ficou mais difícil, reverberam os números: a proporção de idosos nessa condição caiu de 62,7% para 53,8%.
O tempo que se tem, por sua vez, é cada vez maior. Ganhamos três meses a mais de vida, segundo as Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil, também do IBGE: a expectativa anunciada é que a vida se prolongue até os 75,5 anos.
Em 2014, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de 75,2 anos. Parece pouco, mas é melhor não pedir muito mais, pelo menos por enquanto, já que ninguém sabe ainda quem vai resolver a encrenca.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde, lançado no ano passado, uma das dificuldades em se estabelecer uma resposta ampla para o envelhecimento da população é a diversidade de percepções e suposições que circundam os velhos que estão no mundo. Partindo de estereótipos ultrapassados, permanecemos limitados na tarefa de conceituar os problemas.
Não existe um idoso “típico” e as capacidades e necessidades de saúde, especificamente, dos mais velhos não é aleatória, mas estão vinculadas às circunstâncias e eventos que ocorrem ao longo da vida. É preciso, portanto, superar o impasse, alerta a própria OMS, e enxergar que os mais velhos estão em todos os lugares.



