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Um experimento clássico feito há 50 anos pelo bioquímico Stanley Miller (1930-2007) dá pistas sobre a mais antiga das questões – a origem da vida. O cientistas fez sua primeira simulação da atmosfera primitiva da Terra em 1952.
Dois frascos redondos conectados faziam o papel do oceano e da atmosfera, com vapor d’água e gases como metano e hidrogênio. Para simular raios e trovões, Miller usou eletrodos de tungstênio que realizavam descargas elétricas. Em artigo publicado na revista "Science" em 15 de maio de 1953, Miller relatou que "A água no frasco se tornou perceptivelmente rosa depois do primeiro dia. No final da semana, a solução estava profundamente vermelha e turva. A cor vermelha é devida a compostos orgânicos."
Ele tinha produzido aminoácidos, os "tijolos" bioquímicos com os quais são construídas as proteínas.
Guardada em uma coleção de material deixado por Miller estava uma amostra de outro experimento do gênero, feito em 1958, mas misteriosamente não relatado por ele. Um grupo de pesquisadores decidiu analisar a amostra usando técnicas modernas de identificação de compostos químicos.
O experimento de 1958 diferia na composição da "atmosfera". No lugar do hidrogênio, o bioquímico usou o o gás sulfídrico. A equipe, liderada por Jeffrey Bada, da Universidade da Califórnia, em San Diego, EUA, poderia ter replicado o experimento. Entretanto, como escreveram em artigo na revista científica "PNAS", "a oportunidade única de investigar amostras preparadas pelo cientista era irresistível.
O resultado foi surpreendente. Usando técnicas analíticas mil vezes mais precisas que as de Miller, foram achados 23 aminoácidos diferentes, incluindo a primeira síntese dessas substâncias com enxofre em experimentos do gênero. Os adeptos da "sopa primordial", como Bada, especulam que, depois dessa fase inicial de autorreplicação, a vida tinha como base o "primo" do DNA, o RNA, mais versátil quimicamente.
Hoje, os cientistas acreditam que a atmosfera primitiva não era como Miller a simulou. Mas Bada diz que condições semelhantes poderiam ter existido em escala local, especialmente vinculadas a emissões de gases por vulcões. E os novos resultados obtidos ao analisar o experimento de 1958 dariam apoio a essa hipótese. Relâmpagos, gases e atividade vulcânica interagiriam para produzir os "tijolos" da vida.



