Inteligência Artificial domina debates na abertura da Semana Acadêmica da Uenf
Dora Paula Paes 02/09/2026 07:51 - Atualizado em 02/09/2026 07:51
Divulgação/Uenf

A Inteligência Artificial (IA) dominou os debates no primeiro dia da Semana Acadêmica Unificada 2026 da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Na palestra “Profissões em transformação: como a inovação, a Inteligência Artificial e as novas tecnologias estão redesenhando o futuro do trabalho”, realizada nesta segunda-feira (31), o mestre e doutorando em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Eduardo Brasil Barbosa Jr., discutiu os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho e alertou para os riscos do uso da IA nas eleições deste ano.

O evento lotou o auditório principal do Centro de Convenções da Uenf, reunindo estudantes, professores e técnicos da universidade. A programação é promovida pela Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad/UENF), com apoio do Sebrae.

Durante a palestra, Eduardo Brasil apresentou conceitos, aplicações e exemplos de Inteligência Artificial e mostrou como a tecnologia já está presente em diferentes áreas da sociedade. Entre os exemplos citados estão robôs domésticos, como aspiradores de pó, e robôs de companhia destinados a idosos. O pesquisador também destacou aplicações mais complexas, como máquinas capazes de se autorresfriar durante operações de combate a incêndios e drones utilizados em atividades militares.

Para o pesquisador, o avanço da IA exige pensamento crítico, responsabilidade e ética por parte daqueles que desenvolvem e utilizam essas tecnologias. Ao mesmo tempo, ele defendeu que a automação não deve ser encarada necessariamente como uma ameaça à substituição dos trabalhadores, mas como uma ferramenta que pode transformar as relações profissionais.

“Penso como Pierre Lévy, que defende a tecnologia como elemento aglutinador. A escrita não matou a oralidade. E a IA não vai matar nosso emprego. Você não será substituído pela IA, mas por alguém que saiba usá-la. Portanto, é importante que os estudantes e os corpos docente e técnico da UENF busquem formações no sentido de aprimorar o conhecimento técnico em IA”, afirmou.

Eduardo Brasil também chamou atenção para a importância de compreender as transformações tecnológicas a partir de diferentes perspectivas. Durante a palestra, citou autores como Pierre Lévy, Isaac Asimov e Jean Baudrillard como referências para a reflexão sobre os impactos da tecnologia na sociedade contemporânea. Entre outras fontes de informação sobre o tema, mencionou ainda as especialistas em tecnologia Martha Gabriel e Karine do Lago.

O pesquisador apresentou também dados sobre a presença da Inteligência Artificial na educação. Segundo pesquisa realizada em 2024 e divulgada pela Agência Brasil, sete em cada dez estudantes já utilizavam ferramentas de IA em sua rotina de estudos naquele período.

Além dos impactos no mercado de trabalho e na educação, o uso da tecnologia nas eleições foi um dos principais pontos de alerta apresentados durante a palestra. Em ano de eleições gerais, Eduardo Brasil destacou os riscos relacionados às chamadas deepfakes, que permitem a criação ou alteração de vídeos, imagens e áudios com aparência realista.

Necessidade de pensamento crítico - Segundo o pesquisador, ferramentas de geração de avatares e de modulação de voz podem ser utilizadas para produzir conteúdos falsos capazes de levar eleitores a acreditar que determinado candidato ou outra pessoa fez uma declaração que, na realidade, nunca ocorreu. Para ele, o avanço dessas tecnologias amplia a necessidade de pensamento crítico e de mecanismos capazes de identificar conteúdos manipulados, especialmente durante o período eleitoral.

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