Campista Mariana Soares desponta no cenário virtual da música
Matheus Berriel 25/03/2020 13:29 - Atualizado em 25/03/2020 13:30
Mariana participou do Da Sala de Casa e do Fica em Casa BR
Mariana participou do Da Sala de Casa e do Fica em Casa BR / Blendda Corrêa/Divulgação
Aos 31 anos, a cantora, compositora e multi-instrumentista Mariana Soares vive grande momento na música embarcando na onda das plataformas virtuais. O destaque obtido nos últimos anos se reflete em convites para participar de festivais on-line, que ganharam força durante a quarentena forçada pela pandemia do novo coronavírus. Na última terça-feira (24), ela se apresentou no Festival Da Sala de Casa. Ontem, integrou a programação do Fico em Casa BR, ambos via Instagram.
— Nunca tinha feito uma live assim, em formato de show. De qualquer forma, acho que está sendo um terreno totalmente novo no geral, porque o contexto global de hoje meio que transformou o que era uma ferramenta opcional de acessibilidade em uma via única pra comunicação da galera — disse Mariana: — Acho que, por estarmos em quarentena, por termos que encarar com mais consciência o momento em que estamos vivendo no mundo, pelo menos as minhas emoções estavam ainda mais afloradas. Senti que teve gente que se comoveu junto ali também, em alguns momentos. É quando a gente se dá conta do poder emocional que a música tem, ainda mais quando as pessoas estão unidas.
A participação no Fico em Casa BR, que segue até amanhã, teve um gosto especial. Inspirado em evento virtual homônimo de Portugal, o festival reúne grandes nomes da música brasileira, como Maria Gadú e Daniela Mercury, ambas com live realizada na terça-feira (24). Ontem, se apresentaram Teresa Cristina e Dudu Nobre. Hoje é dia de Adriana Calcanhoto, às 14h. Amanhã, será a vez de Emicida, às 17h30, e Paulo Miklos, às 23h, além de inúmeros artistas independentes que começam a despontar no cenário midiático. Os pocket shows são transmitidos pelos perfis pessoais e também no @festivalficoemcasabr.
— Fazer parte de um movimento como esse, com outros artistas, muitos deles já consagrados, é gratificante para caramba. Dá a sensação de que estou cumprindo o meu papel, que é o de contribuir de forma positiva para o tempo em que estou vivendo e existindo, levar reflexão, leveza e plantar conscientização com o que está ao meu alcance. Em meio a uma restrição global, ver um novo movimento de fortificação entre os artistas florescer, e também o estreitamento de laços com o público, está sendo transformador no cenário cultural. Estamos buscando novos caminhos para não deixar a cultura ser invisibilizada, e, ao mesmo tempo, o espaço artístico está se fazendo mais democrático. Estamos todos no mesmo barco e vamos sair dessa se nos unirmos, tanto os artistas quanto os que consomem arte — enfatizou a campista, que cursou engenharia ambiental em Vitória e retornou à cidade natal após concluir a faculdade.
No ano passado, músicas interpretadas por Mariana Soares foram ouvidas 372.6 mil vezes por 199.8 mil pessoas no Spotify, representando 24.7 mil horas de reprodução em 69 países. Parte do sucesso deveu-se ao lançamento dos singles “Mãe Gentil” e “Encomenda”. O primeiro é um retrato da miscigenação brasileira que varia do axé ao rap, passando pelo samba reggae, afoxé baiano e a marchinha. Participaram do trabalho as cantoras Carol Naine, Luciane Dom e Ellen Corrêa. O segundo, uma embalagem folk-pop dançante, com vocais de Victor Mus e camadas empolgantes de violões e guitarras, evocando elementos do country junto à estética colorida do clipe.
Na última sexta-feira (20), Mariana lançou oficialmente seu novo trabalho, o single “Monção”, já disponível em todas as plataformas de streaming. A leveza instrumental da faixa equilibra sua temática reflexiva e imersiva, ilustrando o amor como algo que arrasta, modifica e bagunça tudo ao redor. O arranjo é comandado pelo dedilhado marcado do violão, que se fusiona com guitarras e samples melódicos e ambientados. Há alusões ao gingado do Maracatu.
“Monção” será também o nome de seu terceiro EP, atualmente em processo de construção. Em 2014 e 2016, respectivamente, foram lançados “A Natureza te Grita” e “Pé de Limão”. O álbum de estreia teve influências do legado da MPB, com ingredientes do pop, das serestas e até mesmo das fanfarras, enquanto o posterior se destaca pela estética experimental, com ousadias percussivas.
Carreira — Em 2015, Mariana Soares foi finalista do Top 3 do DMX Brasil, concorrendo entre mais de 90 artistas nacionais com a composição “Nariz do Palhaço”. O festival, idealizado pela MZA Music, é voltado para o streaming e premia artistas destaque na esfera digital brasileira. “Nariz do Palhaço” tem mais de 25 mil visualizações no YouTube somando os acessos do clipe oficial, da versão ao vivo e do documentário sobre a canção.
Mariana também é reconhecida pelo show autoral “Desconcerto”, que mescla música, dança e circo contemporâneo. A primeira edição, em 2015, teve bilheteria esgotada no Teatro Firjan Sesi Campos. O espetáculo foi expandido nos dois anos seguintes em montagens no Teatro Municipal Trianon, e teve sua trajetória apresentada, em 2018, no Pitch do Festival CoMA, em Brasília.
A apropriação do formato “one girl band”, elaborando roupagens desconstruídas para seus arranjos, tem rendido bons resultados à artista, que manuseia simultaneamente violão, teclado, percussão e samplers com um pedal de loop. Em 2018, ela ficou em terceiro lugar na categoria de melhor canção no Festival MPBrasil, em São José do Rio Preto, experimentando “Monção”. No ano passado, foi selecionada para o Festival Zimba, no Rio de Janeiro; o Festival Jacarezinhense da Canção (Fejacan), no Sesc Paraná, em Jacarezinho; além do Festival da Canção de São João da Barra, onde recebeu os prêmios de melhor intérprete e segunda melhor canção, novamente com “Monção”.
Mariana participou do Da Sala de Casa e do Fica em Casa BR
Mariana participou do Da Sala de Casa e do Fica em Casa BR / Arthur Damasceno/Divulgação

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