Mãe muito jovem, Roberta conta que começou uma busca desesperada por respostas há 20 anos. “Minha trajetória nunca foi marcada pela desistência, mas pela sede de conhecimento. Naquela época, o cenário clínico era escasso e a Lei Berenice Piana nem existia. Por isso, mergulhei nos estudos e nas pesquisas sobre autismo e inclusão. Essa busca me transformou: hoje sou professora, psicopedagoga e arteterapeuta, atuando diretamente com crianças e jovens no espectro. Eu não apenas acompanhei a inclusão; eu me tornei parte ativa dela”, revela.
No caminho, segundo ela, encontrou muitos “anjos” que nos ajudaram. Isaac foi o primeiro aluno com laudo na escola onde estudou por anos. “Ali, implementamos currículo adaptado, mediação e trocas constantes com professores. Ele teve mestres incríveis e uma mediadora no Ensino Médio que se tornou uma grande amiga da família. Sempre foquei nas potencialidades dele, nunca nos rótulos. A arte, o teatro, que esteve presente em minha vida desde cedo, e o desenho foi a ferramenta que permitiu que ele florescesse. Ele desenhou antes de falar; o desenho é o coração do meu filho batendo fora do peito”, completa.
A chegada à universidade pública teve uma peça-chave: o padrasto do Isaac, Enrico Arantes. Roberta diz que ele foi o mentor que o preparou durante um ano para o Enem, garantindo que os direitos de ledore transcritor fossem respeitados já na inscrição e salienta: “Hoje, meu esposo é o maior suporte dele na fase acadêmica. Curiosamente, meu esposo é biólogo formado pela Uenf e, atualmente, o Isaac cursa Licenciatura em Biologia na mesma instituição.”
O ciclo se completou de forma honrosa em 2025, quando ela fui aprovada no processo seletivo da PROAC/Uenf para atuar como uma das professoras do curso “TEA com Ciência”. O projeto, voltado para licenciandos da Uenf, educadores e famílias, leva o conhecimento científico e a experiência prática para quem está na linha de frente da educação. “Ensinar aos futuros professores da universidade onde meu filho estuda prova que a inclusão real transforma não apenas uma vida, mas toda a comunidade”, concluiu.
Às mães atípicas, como ela, Roberta deixa uma mensagem: “A luta continua... Nossos filhos podem e devem ocupar os espaços que quiserem. A decisão sobre sua permanência ou não (nas escolas) deve ser regida por suas próprias vontades e escolhas, e jamais ditada pelo preconceito ou pela exclusão.”
Um passo por vez - Dentro das metodologias, um primeiro caminho para mães atípicas é a realização da “Carta de Apresentação” da criança às escolas. A neuropsicopedagoga, Odila Mansur, destaca que é importante que a escola conheça toda a realidade da criança. “Existe um modelo simples e eficiente, que funciona bem e pode ser de grande auxílio”, diz ela que deixou o modelo à disposição de pais em sua rede social.