Ministério Público denuncia seis policiais penais e outras seis pessoas por entrada de drogas e celulares em presídios de Campos
07/05/2026 09:18 - Atualizado em 07/05/2026 14:20
Presídio Carlos Tinoco da Fonseca
Presídio Carlos Tinoco da Fonseca / Foto: Folha da Manhã

Quinze pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (7) na segunda fase da “Operação Clausura”, ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) e da Polícia Civil que investiga o tráfico de drogas e facilitação da entrada de celulares em dois presídios de Campos, o Dalton Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca. Seis policiais penais investigados pelo MP foram presos preventivamente. Outras nove pessoas também foram presas, entre elas detentos que estavam com drogas dentro das unidades prisionais e outros indivíduos que faziam parte do núcleo interno e externo do esquema.
Armas e munições foram apreendidas
Armas e munições foram apreendidas / Foto: Divulgação


Além da operação nos presídios, os mandados foram cumpridos em endereços pessoais dos investigados em Campos, na capital, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Duque de Caxias e Cabo Frio. Na ação, a Polícia apreendeu armas, munições, notebooks e celulares. Medicamentos para auxílio de perda de peso, até o momento identificados como Mounjaro, também foram apreendidos. O material foi encaminhado para perícia.

Investigação começou após morte de policial em Campos 
A ação, realizada pelos agentes da 146ª DP de Guarus, foi realizada a partir das investigações após o homicídio do ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima, em abril de 2025, em Campos. No momento do crime, o homem já havia sido expulso da corporação, após uma investigação apontar o envolvimento dele em crimes dentro do sistema prisional.
Carro de ex-policial colide em muro de creche após tentativa de homicídio
Carro de ex-policial colide em muro de creche após tentativa de homicídio / Reprodução


Após o fato, agentes iniciaram trabalhos de inteligência para apurar a autoria do homicídio e, em dezembro do mesmo ano, deflagraram a primeira fase da operação, capturando três homens envolvidos na emboscada.

No decorrer das diligências e dando continuidade às investigações, policiais civis da unidade identificaram um complexo esquema de corrupção e tráfico de drogas envolvendo agentes públicos, custodiados e traficantes locais. Conforme o apurado, Marcelo Aparecido utilizava a confiança da profissão e era o elo para a entrada de drogas e outras irregularidades em dois presídios. Segundo os agentes, esta seria uma das motivações para o seu homicídio.

Ainda conforme apurado, a organização criminosa possuía três diferentes núcleos que atuavam no tráfico de drogas e em outros crimes dentro dos presídios. Além disso, também haviam negociações para a comercialização de aparelhos telefônicos e outros benefícios, com indicação de quantidade, qualidade, logística de entrega e distribuição interna, bem como a comprovação do lucro através de transações bancárias realizadas pelos envolvidos. A operação desta quinta, portanto, visa desmantelar esse esquema criminoso.

Como os policiais penais presos atuavam
De acordo com o GAECO/MPRJ, os seis policiais penais denunciados, valendo-se de suas prerrogativas funcionais, atuavam para viabilizar o ingresso dos entorpecentes e aparelhos celulares nas unidades prisionais, recebendo vantagens financeiras e lucros das vendas realizadas dentro dos presídios. Ainda segundo as investigações, quatro pessoas, uma delas atualmente presa, eram responsáveis pelo abastecimento da rede criminosa, enquanto outros dois custodiados atuavam no fracionamento e na comercialização interna das substâncias e dos celulares. Além da prisão preventiva, o Juízo da 3ª Vara Criminal de Campos determinou o afastamento dos policiais penais das suas funções e a suspensão do porte de armas de fogo.
Com informações da Assessoria GAECO/MPRJ e PCERJ

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