Alerj discute em plenário projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027
Os deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) começaram a discutir em plenário, nesta terça-feira (03/11), o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 — PL 8.378/26. A medida, enviada ao Parlamento fluminense pelo Governo do Estado, estima um déficit de R$ 13,98 bilhões, com despesas previstas de R$ 138,37 bilhões e receita líquida estimada em R$ 124,39 bilhões.
Além do PLOA, os parlamentares também discutiram a revisão para 2027 do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027 — PL 8.377/26. O PPA estabelece a médio prazo diretrizes, objetivos e metas a serem alcançadas pelo Executivo durante quatro anos, sendo base para elaboração das leis orçamentárias anuais.
Este foi o primeiro dia de discussão prévia das medidas, que retornam nesta quarta-feira (04/11) para serem debatidas. Em seguida, será aberto o prazo para apresentação de emendas parlamentares, de 5 a 11 de novembro.
Na comparação com o orçamento aprovado para 2026, a previsão de déficit estadual apresenta uma redução de aproximadamente R$ 5 bilhões. Na justificativa encaminhada à Alerj, o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, atribuiu a permanência do déficit fiscal em 2027 a uma combinação de fatores, entre eles a redução real das receitas provenientes de royalties e participações especiais e o aumento de R$ 9,64 bilhões nas despesas com pessoal.
Segundo o Executivo, esse crescimento considera os efeitos da recomposição salarial concedida aos servidores públicos, com o pagamento de duas parcelas de 5,62% de reajuste, previstas na Lei 9.436/21. As despesas com pessoal e encargos sociais estão estimadas em R$ 80,85 bilhões. Já o Tesouro Estadual deverá destinar R$ 23,8 bilhões para cobrir as obrigações previdenciárias.
Início das discussões em plenário
As duas medidas já receberam parecer prévio favorável da Comissão de Orçamento da Alerj, em reunião ocorrida no dia 27 de outubro. Na ocasião, o presidente do colegiado, deputado Gustavo Tutuca (PP), destacou a necessidade de ampliar a arrecadação, atrair investimentos e aprimorar a proposta orçamentária até dezembro, ressaltando que a aprovação do parecer prévio marca o início de uma série de debates sobre o texto.
“Aprovamos o parecer inicial para começar esse debate na Casa. Temos muito a evoluir até dezembro, buscando novas receitas para apresentar uma peça orçamentária mais robusta e próxima da realidade que o Estado enfrentará no próximo ano”, afirmou Tutuca.
“Aprovamos o parecer inicial para começar esse debate na Casa. Temos muito a evoluir até dezembro, buscando novas receitas para apresentar uma peça orçamentária mais robusta e próxima da realidade que o Estado enfrentará no próximo ano”, afirmou Tutuca.
Propag
Em relação à dívida pública, a proposta destaca a adesão do Estado do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), firmado em 22 de junho de 2026.
O programa estabelece novas condições para o pagamento, a longo prazo, da dívida do Estado com a União. Com a adesão, o saldo refinanciado passa a ser atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem a incidência de juros reais.
O PLOA prevê a aplicação de R$ 2,28 bilhões em áreas contempladas pelo Propag. Desse montante, 60% deverão ser destinados à educação profissional.
Do total previsto, R$ 1,30 bilhão será destinado à educação profissional e técnica, enquanto o restante deverá contemplar investimentos em áreas estratégicas, como transportes, saneamento, segurança pública, universidades estaduais, adaptação climática e habitação.
No primeiro dia de discussão em plenário, a deputada Dani Balbi (PCdoB) destacou que o Propag estabiliza o Estado e permite investimentos massivos em educação básica e nível superior.
“Ele traz uma perspectiva de alargamento nos investimentos em relação ao ensino técnico profissionalizante, que é muito positiva às necessidades de industrialização no estado do Rio e à convocação das instituições para cumprirem essa missão”, destaca a parlamentar.
Medidas para reduzir o déficit
Durante a sessão, o deputado Luiz Paulo (PSD), chamou atenção para três fontes de receitas complementares que poderão reduzir o déficit orçamentário previsto para 2027. Juntas, as medidas representam uma arrecadação potencial de R$ 7,5 bilhões, mas dependem do cumprimento de condições específicas para que os recursos ingressem nos cofres públicos.
Entre as principais fontes de recursos estão R$ 6,34 bilhões provenientes das participações especiais dos campos de petróleo de Tupi e Cernambi, R$ 792,5 milhões da arrecadação da dívida ativa de ICMS e R$ 362,1 milhões da alienação de imóveis públicos.
O Executivo ainda antecipa que há uma discussão com a União sobre o reperfilamento e o reescalonamento das dívidas bancárias do Estado e, se conseguir eliminar só essa despesa, já é possível contar com uma redução na ordem de R$ 4 bilhões.
O parlamentar citou ainda os projetos aprovados na Casa que contribuem para esse cenário. “Já aprovamos dois projetos que foram à sanção do governo: o do devedor contumaz e o da transação tributária”, completou Luiz Paulo.
Revisão do Plano Plurianual
Para a revisão do PPA 2024-2027, o Governo do Estado teve como uma das referências o Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social (Pedes 2024-2031), instituído pela Lei 10.266/23. A norma, aprovada pela Alerj, estabeleceu dez missões para orientar o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Entre elas estão a erradicação da extrema pobreza; a segurança alimentar e nutricional da população fluminense; a segurança hídrica; a descarbonização do Estado do Rio; a redução do impacto dos resíduos sólidos; o desenvolvimento de vantagens competitivas associadas à economia do conhecimento; a ampliação e desconcentração territorial das oportunidades de trabalho e emprego; o fortalecimento das economias urbanas e de cidades socioambientalmente inclusivas; a garantia da segurança pública nos territórios; e a promoção das igualdades racial e de gênero.
O projeto de revisão do PPA organiza a programação do Governo do Estado para 2027 em programas, iniciativas, produtos e ações orçamentárias, acompanhados dos respectivos indicadores. As atualizações propostas consideram a execução física e financeira dos programas, os resultados do monitoramento e da avaliação das políticas públicas, além da necessidade de adequação a novos cenários e situações não previstas inicialmente.
Para o deputado Luiz Paulo não há óbices quanto à revisão do PPA. “O texto atende os precedentes legais e já foi, inclusive, aprovado pela Comissão de Orçamento”, afirma o parlamentar.