PL apresenta duas ações contra Paes no TRE por suspeita de irregularidades eleitorais
- Atualizado em 04/11/2026 14:54
Douglas Ruas
Douglas Ruas / Divulgação
O Partido Liberal (PL) protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) duas novas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) contra o ex-prefeito do Rio e candidato derrotado ao governo estadual, Eduardo Paes (PSD). Em uma delas, o atual prefeito da capital, Eduardo Cavaliere (PSD), também é investigado.
Os processos tratam de dois episódios: a pressão sobre trabalhadores da Prefeitura para apoiar Paes e a atuação de um canal no WhatsApp que mobilizou apoiadores em defesa de um segundo turno. Se as irregularidades forem comprovadas, o partido pede a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos.
As iniciativas vêm uma semana depois de a coligação do governador eleito Douglas Ruas (PL) acionar a Justiça Eleitoral por causa do site anônimo ruasdeverdade.com, divulgado durante um debate televisivo e apontado como tentativa de desgastar a imagem do então adversário.
Denúncia envolve servidores e terceirizados
Na ação que inclui Cavaliere, o PL sustenta que trabalhadores da administração municipal foram constrangidos a participar de atividades políticas em apoio à candidatura de Paes. Entre eles estão servidores, terceirizados e profissionais contratados pela Prefeitura.
O partido relaciona os episódios à estrutura administrativa que continuou sob o comando do grupo político de Paes depois que ele deixou o cargo, em março de 2026, para disputar o governo. Cavaliere, então vice-prefeito, assumiu a Prefeitura.
Os fatos citados incluem convocações em grupos profissionais de WhatsApp, reuniões políticas e listas nominais de presença. Segundo o PL, os trabalhadores temiam represálias, como demissões e não renovação de contratos, caso não atendessem aos superiores.
Para fundamentar o pedido, o partido usa informações do Ministério Público do Trabalho da 1ª Região (MPT-RJ), que apurou relatos de assédio eleitoral no município. Um dos focos foi a pressão sobre profissionais da rede municipal de ensino, sobretudo da Secretaria de Educação, para comparecer a encontros políticos.
MPT recomendou medidas para coibir assédio eleitoral
O MPT expediu recomendação preventiva à Secretaria Municipal de Educação para evitar a prática. De acordo com o PL, a Prefeitura não respondeu formalmente ao documento antes de o órgão ajuizar ação civil pública. A ação foi extinta sem julgamento do mérito, depois que a Justiça reconheceu não ter competência para analisá-la. O MPT recorreu, e o conteúdo das denúncias ainda não foi julgado.
Na Justiça Eleitoral, o PL quer apurar se Cavaliere sabia dos fatos e se participou ou se omitiu conscientemente diante do uso da estrutura municipal em benefício da campanha de Paes. A ação cita ainda Jane Reis (MDB), vice na chapa de Paes, mas o partido ressalva que a responsabilidade dela dependerá de investigação específica.
Canal com 60 mil seguidores é alvo de outra ação
A segunda ação questiona o canal público de WhatsApp “Exército do Dudu 55”, que chegou a reunir cerca de 60 mil seguidores, segundo os documentos do partido. Para o PL, o espaço serviu para organizar apoiadores de Paes e disseminar conteúdos que punham em dúvida o resultado do primeiro turno.
Além de Paes, são alvo o deputado federal eleito Renan Ferreirinha (PSD), o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, e a deputada estadual eleita Joyce Trindade. As condutas atribuídas diferem: Ferreirinha aparece em vídeo defendendo a realização de segundo turno; Vaz e Joyce publicaram peças gráficas e convites para que seguidores entrassem no canal.
PL contesta discurso sobre realização de segundo turno
O partido critica sobretudo os conteúdos que tratavam o segundo turno como certo ou já definido. Lembra que o TRE-RJ homologou por unanimidade, em 15 de outubro, a retotalização que confirmou Douglas Ruas eleito no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos. Cita ainda a ação do PSD no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os efeitos da exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), mas argumenta que a discussão judicial não define um segundo turno nem invalida o resultado proclamado.
Entre os pedidos ao TRE-RJ está a suspensão temporária do canal ou, se ela for negada, a retirada das publicações consideradas irregulares. O PL também solicita que a Meta preserve os registros do canal e informe quem o criou e o administra.

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