Nunes Marques manda Meta fazer pente-fino no canal 'Exército do Lula'
- Atualizado em 22/10/2026 16:09
Ministro Kassio Nunes Marques
Ministro Kassio Nunes Marques / Alejandro Zambrana - STF
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para que a Meta envie um amplo relatório com dados técnicos sobre o canal "Exército de Lula".

Nunes Marques atendeu a um pedido feito pela campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que trata da verificação do plano de conformidade assinado pela empresa com o tribunal, que informa medidas adotada para prevenir e mitigar riscos à integridade do processo eleitoral.

A nova determinação é mais um capítulo da disputa em torno do canal. Na semana passada, Nunes Marques chegou a determinar sua suspensão.

O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu essa ordem e reabilitou a página. Depois de novos desdobramentos, Nunes Marques determinou, em 14 de outubro, o restabelecimento integral do canal.
O relatório determinado pelo presidente do TSE deve conter:

- a verificação dos fatos e dos elementos técnicos apresentados;
- a existência de sincronização de atividades, replicação de mensagens e atuação coordenada entre contas, canais e plataformas;
- os padrões de engajamento, alcance, compartilhamento e eventual amplificação artificial;
- a circulação e redistribuição dos conteúdos, inclusive mensagens encaminhadas e conteúdos excluídos ou modificados;
- a existência de publicidade paga, impulsionamento e distribuição patrocinada;
- a aplicação efetiva do plano de conformidade e as providências eventualmente adotadas;
- a análise fundamentada de todos os pedidos formulados no processo.
A decisão determina que a Meta explique quais critérios técnicos utiliza para diferenciar uma “mobilização legítima” de um “comportamento coordenado potencialmente irregular”.

Outra medida determinada para o Google é se identificaram amplificação coordenada dos termos e hashtags mencionados, entre 18 e 20 de outubro de 2026, em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.

Na decisão, o ministro esclarece que o foco da análise é "o confronto entre as providências formalmente informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento do mecanismo questionado”.
Entenda o caso
A disputa começou depois que a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao TSE a suspensão do "Exército do Lula", alegando divulgação de informações falsas.

Em 11 de outubro, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal. No mesmo dia, porém, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, suspendeu a ordem e determinou a reativação da página.

Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações que estavam no ar e foram examinadas.

Em 13 de outubro, Kassio Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral.

A exigência foi cumprida pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registrou o endereço eletrônico do canal no TSE. O canal é administrado pelo deputado federal André Janones.

A defesa de Lula afirmou que fez o registro apenas para cumprir a determinação e que isso não significava assumir a administração do canal.

Naquela noite, o canal chegou a sair do ar após nova decisão de Nunes Marques. No dia seguinte, 14 de outubro, o presidente do TSE determinou que o Facebook, como representante do WhatsApp, restabelecesse integralmente a ferramenta, inclusive permitindo novas publicações e a entrada de seguidores. Após a decisão, o canal foi reativado.

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