Sem pesquisa registrada, especialistas analisam disputa por vagas na Câmara e na Alerj
Dora Paula Paes - Atualizado em 03/10/2026 08:49
Congresso Nacional.
Congresso Nacional.
Sem pesquisa registrada é difícil cravar possíveis eleitos nas urnas, neste domingo (4), para vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), segundo estudiosos. Campos, por exemplo, não conseguiu eleger deputado federal na eleição de 2022. Para a Alerj, o Norte e o Noroeste Fluminense somaram seis deputados, mas, nesta reta final de mandato, o município perdeu dois parlamentares em decorrência da “Operação Unha e Carne”, que investiga a ligação de parlamentares com o crime organizado.
“Na verdade, é complicado projetar a eleição de deputados, principalmente em função do quociente eleitoral. O que eu posso dizer é que, para a Câmara Federal, um candidato que obtenha mais de 35 mil votos provavelmente estará na briga. Vale lembrar que Caio Vianna obteve 36 mil votos e ficou na suplência. Penso que fragmentar votos em candidatos de fora de Campos é tirar a chance da região. Acho que Wladimir Garotinho, ex-prefeito de Campos, pode ser eleito, assim como o irmão do prefeito de Macaé, Welberth Resende, Márcio Resende”, analisou o estatístico Eduardo Shimoda.
O sociólogo Roberto Dutra também tem uma avaliação sobre as candidaturas às duas Casas Legislativas, estadual e federal. Segundo ele, é difícil prever quem será eleito. Por isso, prefere destacar o protagonismo de Campos e também a qualidade dos deputados que a região vem elegendo nas últimas décadas.
“Como um reflexo da degradação da política nacional como um todo, nós temos também, em Campos e na região, um fenômeno que é geral: essa mistura promíscua de dinheiro com política”, afirmou.
Ele explica que, dentro desse capital político, cresce a expectativa de que haja um número grande de deputados reeleitos, à medida que prefeitos são envolvidos nas campanhas, tornando o cenário muito difícil para que novas forças, baseadas em visões de mundo e ideologias, possam surgir em Campos e na região.
“Em termos concretos, isso significa que há uma tendência de que a gente possa eleger, sim, cinco, seis deputados estaduais”, avalia.
Dutra também cita um problema que, de acordo com ele, parece mais específico de Campos: a falta de candidaturas de perfil ideológico.
“Por mais que os principais favoritos para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa sejam deputados de partidos de direita ou de centro-direita, nenhum deles tem um perfil ideológico. Mesmo o candidato Wladimir, que está no PL, não aposta nesse perfil ideológico, como nós já tivemos, por exemplo, no passado, com deputados como Paulo Feijó, que, mesmo durante boa parte do governo Lula, do PT, conseguiu se reeleger a partir de uma identificação que conseguiu criar com o setor mais conservador de Campos”, exemplifica.
Dutra acrescenta:
“As ideologias são muito desprezadas, e faz sentido a gente considerá-las como tendo menos valor político num momento de degradação, de mistura muito vergonhosa de dinheiro com política.”
O sociólogo, Roberto Dutra, ainda conclui: “Então, mesmo que a gente eleja deputados com um perfil ideológico um pouco mais forte, mesmo que a gente eleja algum deputado federal, um ou, quem sabe, dois na nossa região, eu não vejo nenhum candidato que consiga se transformar em uma liderança parlamentar ou se destacar no Parlamento por colaboração, por qualquer tipo de projeção de ideias. No passado, Anthony Garotinho, quando foi deputado, de certo modo conseguiu isso. Nós devemos lembrar que Garotinho, quando foi deputado, esteve envolvido na guerra cultural sobre a questão do chamado ‘kit gay’, uma fake news que alavancou Bolsonaro lá no começo”.

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