Ministro proíbe divulgação pesquisa da AtlasIntel e estatístico diz que não é usual reproduzir áudio
Dora Paula Paes - Atualizado em 08/06/2026 17:57
Ministro Nunes Marques
Ministro Nunes Marques / Fellipe Sampaio/SCO/STF
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, atendeu parcialmente, nesta segunda-feira (8), a um pedido da defesa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e proibiu que a AtlasIntel realize novas divulgações de sua mais recente pesquisa sobre a disputa presidencial. O levantamento, divulgado há quase três semanas, foi contestado pela defesa do parlamentar sob a alegação de que alguns entrevistados ouviram um áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o estatístico Willian Passos, a AtlasIntel é um instituto de pesquisa sério, idôneo e reconhecido pela credibilidade de seus levantamentos.

— O instituto sempre realiza pesquisas com elevado padrão de qualidade. Inclusive, esse é um dos motivos pelos quais divulgamos seus levantamentos no Grupo Folha. No entanto, não é usual que, durante a realização de uma pesquisa, seja reproduzido um áudio para o entrevistado antes da coleta de sua opinião — afirmou.

Segundo Passos, os institutos de pesquisa normalmente utilizam metodologias baseadas na aplicação de perguntas, sem a reprodução de áudios ou outros estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado.

— Portanto, esse tipo de procedimento não é comum — ressaltou.

De acordo com a decisão do ministro, a AtlasIntel não poderá promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa até que o plenário do TSE analise o caso. O processo ainda não foi incluído na pauta de julgamento, o que poderá ocorrer nesta terça-feira (9).

Nunes Marques esclareceu que ainda não analisou o mérito do levantamento, mas considerou que a manutenção da pesquisa poderia “potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral”. Segundo ele, caso não sejam identificadas irregularidades, a pesquisa poderá voltar a ser divulgada.

— Como estatístico, não tenho condições de discutir o mérito da decisão judicial. Contudo, com base na experiência que acumulei junto ao Grupo Folha, posso afirmar que não é usual nem comum a realização de entrevistas com reprodução de áudio aos participantes — reiterou Passos.

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