Aposta em Thiago Virgílio e Bruno Dauaire reduz base governista na Câmara
Os vereadores Marquinho do Transporte (DC) e Leon Gomes (PDT) anunciaram, na sessão de quarta-feira (3), que romperam com o grupo do ex-prefeito Wladimir Garotinho (PL) e deixaram a base do governo Frederico Paes (MDB) na Câmara de Campos. A mudança no tabuleiro político ocorre após o grupo político que pertenciam anunciar apoio a pré-candidatos rumo as eleições em 4 de outubro.
O afastamento ocorreu após cargos comissionados ligados aos dois terem sido exonerados da Fundação Municipal de Infância e Juventude (FMIJ) e da Empresa Municipal de Habitação (Emhab).
Na tribuna da Câmara, os dois vereadores afirmaram que o rompimento com Wladimir aconteceu porque levaram adiante suas pré-candidaturas a deputado estadual e federal, mesmo com o grupo político priorizando para a disputa os nomes de Bruno Dauaire e Thiago Virgílio à Alerj e de Wladimir à Câmara Federal.
Segundo Leon e Marquinho do Transporte, o ex-prefeito teria afirmado que suas pré-candidaturas não seriam um empecilho para a permanência na base governista. Mas, com as exonerações de cargos ligados à eles publicadas no Diário Oficial de terça-feira (2), teriam sido “convidados” a sair do grupo.
Leon atribuiu a decisão a Wladimir e citou um acordo que teria sido feito em 2022 com o ex-prefeito sobre sua pré-candidatura a deputado federal. “Ele é o líder político. Só que é um acordo que, no meu caso, não foi consultado no ano passado não. São quatro anos e palavra empregada é algo que tinha de acontecer. Quando me posiciono aqui eu me sinto traído. Porque foi uma decisão que foi tomada e ele (Wladimir) nem sequer veio falar comigo”, disse Leon.
Marquinho do Transporte também criticou a exoneração dos cargos comissionados na Emhab. “Eu não concordo com o que fizeram com o grupo que estava trabalhando, que votou neles também e elegeu o ex-prefeito. Eu não acho justo essas pessoas estarem sendo demitidas por causa da minha decisão de ser pré-candidato”, falou Marquinho.
O presidente da Câmara, Fred Rangel (PP), foi à tribuna e destacou a importância da hierarquia dentro do grupo político. “Ninguém está aqui para limitar ou ceifar sonhos de ninguém. Só que uma coisa muito importante dentro da política é a hierarquia dentro de um grupo político e é isso que nós estamos tratando hoje. O ex-prefeito Wladimir Garotinho é líder desse grupo político. Todos sabem aqui que a gente atua de forma conjunta nas decisões”, disse Fred.
Wladimir falou sobre "consciência tranquila"
O ex-prefeito Wladimir Garotinho publicou, na manhã de quinta-feira (4), um vídeo nas redes sociais com uma mensagem de reflexão. Preparando um café e sem citar as críticas dos vereadores Leon Gomes e Marquinho do Transporte, falou sobre serenidade, consciência tranquila e afirmou que nem tudo na vida merece resposta.
“Lembrem que nem tudo na vida vale a pena e também nem tudo merece resposta. Algumas coisas aparecem sozinhas e por conta própria. O importante é você ter consciência tranquila e fazer o seu melhor naquilo que você se propõe a fazer. Então que Deus nos abençoe e bom feriado para você e sua família”, falou Wladimir.
Pré-candidato à Câmara Federal, Wladimir, junto com o prefeito Frederico Paes (MDB), mesmo partido de Marquinho do Transporte, anunciaram no dia 29 de maio que o grupo político está fechado com os nomes de Bruno Dauaire e Thiago Virgílio pré-candidatos a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Thiago e Bruno lembram que existia acordo
Após a retirada de espaços políticos de quem não caminhou dentro do projeto do grupo, que ocasionou o rompimento de Leon Gomes e Marquinho do Transporte, algumas lideranças se posicionaram na quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, e defenderam a decisão. Thiago Virgílio e Bruno Dauaire afirmaram que foi uma decisão coletiva do grupo político, devendo ser respeitada, e não tomada individualmente por Wladimir.
“Aconteceu isso também com o próprio Wladimir em 2014, quando ele queria ser candidato a deputado, e o grupo tinha compromisso (com outro). E assim é para quem quer fazer parte de um grupo político, tem que estar preparado para decisões de grupo. Na reunião agora foi decidido que quem não caminhasse dentro desse projeto perderia espaço dentro da máquina, dentro da prefeitura. Isso é política. Eu participei e votei a favor de quem não acompanhar perdesse os espaços que tinha indicado dentro do grupo político”, disse Thiago.
O deputado Bruno Dauaire, pré-candidato à reeleição na Alerj e também com apoio do grupo, defendeu o ex-prefeito das acusações e disse tratar-se de uma decisão coletiva, que deve ser respeitada pelos membros da base. Além disso, destacou que Wladimir tem melhores condições de exercer o mandato na Câmara Federal, caso seja eleito em outubro.
“Não há como acusar Wladimir de traição ou de deslealdade. Quando, na verdade, o grupo político decidiu por ter duas pré-candidaturas a deputado estadual e uma única a deputado federal, o que é normal dentro do processo político. O que não é normal é um projeto pessoal sobrepor a decisão de um grupo. A decisão de ter só um pré-candidato a federal é por toda trajetória, história e poder de articulação que o Wladimir tem e terá, se eleito, em Brasília”, afirmou Dauaire.
O rompimento dos dois vereadores afeta a composição das bancadas na Câmara Municipal. Com Leon e Marquinho do Transporte, a base do governo tinha 20 dos 25 parlamentares e, a partir de agora, passa a contar com 18. Na sessão de quarta-feira, Leon disse que passará a compor a bancada independente. Já Marquinho não deixou claro seu alinhamento no Legislativo após a saída da base.