Áudios revelados pela Polícia Federal apontam ligação de Thiago Rangel a loteamento de cargos na Educação
Gabriel Torres 18/05/2026 14:12 - Atualizado em 18/05/2026 16:46
Deputado Thiago Rangel
Deputado Thiago Rangel / Thiago Lontra-Alerj


A apuração da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades na Educação do Estado Rio teve novo capítulo nesta segunda-feira (18), com a divulgação de áudios atribuídos ao deputado estadual Thiago Rangel (Avante). De acordo com reportagem exibida pelo RJ1, da TV Globo, mensagens extraídas de celulares apreendidos indicariam que o deputado dava ordens relacionadas à estrutura da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ) e negociava cargos públicos para aliados ligados ao tráfico. Em nota, a defesa de Rangel afirmou que o parlamentar é inocente, que as supostas mensagens não tiveram seu contexto minimamente apurado e está recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a reportagem, os investigadores tiveram acesso a conversas e gravações que apontariam uma atuação direta do parlamentar em decisões internas da Educação do Estado, com indicações para funções estratégicas e tratativas envolvendo obras em unidades escolares.
As mensagens analisadas pela Polícia Federal também fariam referência ao loteamento de cargos públicos e à interlocução com pessoas investigadas por envolvimento com o tráfico de drogas. Os conteúdos foram obtidos durante apreensões realizadas no âmbito das investigações que miram supostas fraudes em contratos e serviços ligados à rede estadual de ensino.
De acordo com a Polícia Federal, os diálogos indicariam que Thiago Rangel mantinha influência sobre setores da pasta, mesmo sem ocupar cargo executivo. Em um dos trechos citados pela reportagem, o deputado aparece dando orientações relacionadas a nomeações e movimentações internas.
Os investigadores suspeitam que a estrutura pública teria sido utilizada para acomodar indicações políticas e fortalecer alianças locais. A Polícia Federal também investiga se houve interferência em contratos e obras de escolas estaduais.
As informações divulgadas pelo RJ1 indicam ainda que aliados do deputado aparecem nas conversas discutindo ocupação de cargos estratégicos e relações com pessoas já monitoradas em outras frentes de investigação.
As mensagens, extraídas de celulares apreendidos durante os desdobramentos da Unha e Carne, aparece até uma suposta conversa do deputado com a irmã do traficante Arídio Machado, conhecido como "Junior do Beco". Na conversa, ela diz que fez uma entrevista e não foi chamada e o que irmão mandou que ligasse para saber o que estava acontecendo. 
 
Prisão
Thiago Rangel foi preso no dia 5 de maio durante a operação da PF que investiga o suposto esquema. A corporação apura possíveis crimes relacionados a corrupção, fraude em contratos públicos e organização criminosa.
Além de dizer que as supostas mensagens divulgadas não tiveram seu contexto minimamente apurado, a defesa de Thiago Rangel afirmou que o parlamentar é inocente, não tem vínculo com o crime organizado e que está recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF). 
"A defesa de Thiago Rangel reafirma sua absoluta inocência. As supostas mensagens mencionadas não tiveram seu contexto minimamente apurado e não autorizam as conclusões que vêm sendo divulgadas. Thiago Rangel desconhece qualquer vínculo entre pessoas com quem tenha mantido contato e o crime organizado. A defesa já levou ao Supremo Tribunal Federal, por meio de Agravo Regimental, graves vícios na origem da medida que induziram o STF a erro, deslocando para aquele foro matéria que não é de sua competência. A defesa confia que a 1ª Turma do STF reconhecerá as nulidades apontadas. Thiago Rangel não integra organização criminosa, não manteve relação ilícita com grupos criminosos, e sua inocência será comprovada no foro adequado: os autos", diz o comunicado.

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