Ricardo Couto mantém exonerações no governo do estado do Rio
Hevertton Luna - Atualizado em 01/05/2026 08:20
Ricardo Couto, governador em exercicío do Rio
Ricardo Couto, governador em exercicío do Rio / Thiago Lontra/Alerj
O governador em exercício, Ricardo Couto, segue com uma série de exonerações. Nesta semana, o pente-fino levou a mudanças na Saúde, Fazenda, Planejamento e Gestão, Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro e Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Em quase 40 dias, o desembargador já exonerou 1,47 mil servidores estaduais.
Em levantamento interno, as secretarias da Casa Civil e de Governo somavam cerca de 4 mil servidores. A previsão é cortar aproximadamente 40% desse total, o equivalente a cerca de 1,6 mil cargos. Parte das exonerações mira em funcionários “fantasmas”.
A estimativa do governo com as demissões é de economizar cerca de R$ 85 milhões por ano. A saída de servidores em massa é justificada com a necessidade de reorganização administrativa, corte de gastos e combate a possíveis irregularidades.
Em uma nova rodada, na quinta-feira (29), nomes ligados ao ex-governador Cláudio Castro (PL), como Renato Jordão foi exonerado do Inea. Ele era próximo do ex-secretário de Meio Ambiente Bernardo Rossi. A engenheira florestal Denise Marçal Rambaldi assume a posição, que era superintendente de Biodiversidade e Florestas da Secretaria Estadual do Ambiente.
Na mesma publicação do Diário Oficial, foram exonerados gerentes do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio (Rioprevidência). No começo do mês, o governador tirou do cargo o presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso
O governador interino do RJ já havia publicado, na terça-feira (28), outras exonerações com 174 nomes. Entre os demitidos na faxina estavam a secretária de Saúde, o chefe de comunicação do governo e até o chef do Palácio Guanabara.
Análise 
Para cientista político e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) Campos, George Gomes Coutinho, a população apoia as medidas tomadas por Couto, contudo é preciso refletir além dos gastos.
“Parte da sociedade fluminense tende a aderir a discursos que associam cortes de gastos e medidas de austeridade a eficiência administrativa. Além disso, é preciso relativizar a ideia de austeridade como solução em si. Nesse sentido, o debate não deveria se restringir ao tamanho ou ao custo do aparato estatal, mas à sua capacidade efetiva de produzir políticas públicas”, explica Coutinho
Hamilton Garcia, cientista político e professor da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), afirmou que as medidas são necessárias e que uma solução definitiva é preciso ser tomada.
“Esta interinidade do desembargador é, na verdade, uma intervenção branca do Judiciário no estado do Rio de Janeiro. Uma intervenção que não está prevista na Constituição. Todavia, é preciso reconhecer, ela tem acarretado uma série de medidas saneadoras das péssimas práticas reinantes na política fluminense, particularmente no seio do governo estadual”, explicou Hamilton.

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