Banco Central abre investigação interna para apurar condução do caso Master
- Atualizado em 29/01/2026 08:49
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 / Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar a condução do caso do Banco Master. O objetivo é verificar eventuais falhas no processo de fiscalização e liquidação extrajudicial da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro.

A auditoria é um processo sigiloso e começou logo depois da liquidação do banco, no ano passado. A medida visa, principalmente, descobrir por que a área técnica demorou para detectar o aumento das operações de risco do Banco Master, segundo informações obtidas pelo blog do g1.

A abertura da sindicância foi decretada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda em dezembro. Isso porque um processo de liquidação extrajudicial, como ocorreu no caso do Master, é um fato grave e precisa ser devidamente documentado.
A informação, no entanto, foi revelada pelo jornal "O Globo" e confirmada pelo blog somente nesta quinta-feira (29), porque o processo é sigiloso dentro do órgão.

Desde que a auditoria foi aberta, os diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) deixaram os cargos. A área é a responsável por detectar a saúde das instituições financeiras.
Nos últimos meses, o Master esteve no centro de decisões e questionamentos que mobilizaram o BC, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A crise teve início com suspeitas relacionadas a operações financeiras realizadas pela instituição, que levaram o BC a decretar a liquidação extrajudicial do banco, em novembro. A medida, no entanto, passou a ser contestada, abrindo espaço para novas análises sobre seus fundamentos.

Na prática, a liquidação extrajudicial significa que o BC encerrou as atividades do banco e nomeou um liquidante, responsável por assumir o controle da instituição e encerrar operações até a extinção do banco. Com isso, a instituição deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Banco Master era justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.
TCU questionou liquidação
A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master passou a ser questionada em outras instâncias, ampliando o alcance do caso.

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou inicialmente a realização de uma inspeção para analisar documentos relacionados ao processo de liquidação. O BC, no entanto, entrou com recursos (embargos de declaração) contra a decisão.

Dias depois, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, reuniu-se com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar do tema. Em 12 de janeiro, o Banco Central retirou o recurso.

Segundo o BC, a medida faz parte de uma saída negociada para encerrar o impasse institucional entre as duas entidades. Como resultado do acordo, BC e TCU definiram que as próximas etapas envolverão diligências técnicas sobre a documentação, e não uma inspeção formal.
Com informações do G1

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