Cada selo da história de Ruy Castro se refere a uma parte do corpo do jornalista: sangue, nariz, fígado, língua, coração, sexo e cérebro. Os capítulos narram a proximidade do homem com a morte em sete diferentes ocasiões, tanto como personagem ou quanto protagonista. Os relatos mesclam a forte realidade aos delicados toques literários de Heloísa Seixas.
A narrativa é iniciada a partir das memórias de Heloísa Seixas, que retrata um fato da vida do casal em um hospital. Em sequência, são feitas construções do passado, rememorando a infância de Ruy Castro, fase em que já era possível notar o vínculo do jornalista com algo que permearia toda a sua vida: ficção, seja por meio da literatura ou do cinema.
A importância da escrita para o homem, como é tratado na história, é destacada por Heloísa como uma forma de ele se desvencilhar das dores e do temor da morte. Ela compreende o ato de produção ininterrupta como uma maneira de ele saber que deve permanecer vivo por ter trabalhos a concluir, principalmente no momento em que enfrenta um câncer e, paralelamente, escreve “Carmen: uma biografia”, sobre a artista portuguesa Carmen Miranda, lançada em 2005.
Assim como o cavaleiro do longa-metragem de Bergman, vivido pelo ator Max von Sydow, utiliza o tabuleiro de xadrez para adiar a morte, Castro joga com as palavras, na literatura e no jornalismo, para escapar do pânico gerado por ela. “O cavaleiro, então, tentando ganhar tempo, convida a Morte para um jogo de xadrez, que vai decidir se ele vai ou não com ela. A Morte concorda, sabendo que vai ganhar. Mas o cavaleiro joga porque não tem outro jeito. Ele precisa jogar. O jogo é a única possibilidade, mesmo que passageira, para driblar a Morte.”
As opções pela não-linearidade do quase romance, como classifica a própria autora, e por unir a escrita a depoimentos seus e do protagonista tornam a leitura fluida e passível de criar mentalmente, a partir dela, pequenas cenas, sem que o leitor se sinta confuso pela troca repentina de cenários, personagens e enredos.
Em “O Oitavo Selo”, a descrição é um dos elementos-chaves da obra de quase ficção. No entanto, predomina não a descrição de elementos que compõem o cenário, visando ambientar o leitor, e sim a de sentimentos e sensações, proporcionando ao receptor envolvimento pleno com a narrativa.
Escrever sobre memórias, sendo essas quase ou completamente reais, é uma das características da escritora que, em 2007, publicou “O lugar escuro – Uma história de senilidade e loucura”, pela editora Objetiva. No livro, Heloísa remonta o convívio com a mãe, debilitada pelo Mal de Alzheimer, sempre com zelo descritivo e linguagem envolvente, também marcantes em sua mais recente obra.
Em uma ilha, duas mulheres, antes desconhecidas, convivem e revivem histórias e segredos. Vindas de um hospital, as estranhas abrem-se uma a outra. Cada qual a seu modo. Uma permanece em silêncio. A outra conduz o relacionamento unilateral com palavras nunca ditas antes. As personagens se conheceram durante a internação da atriz Elizabeth Vogler, interpretada por Liv Ullmann, que, durante três meses, ficou em absoluto silêncio.
Fortuitos encontros (e desencontros) diários, muitas vezes, servem como empurrão para que tenhamos a oportunidade de conhecer novas produções do mundo artístico, em suas mais diversas formas. Música, livros, teatro, cinema. Com as notícias divulgadas sobre a área de cultura, é possível ter acesso a inúmeros trabalhos que têm sido publicados, tanto nacional quanto internacionalmente. Mas, cá para nós, os brasileiros possuem mais encanto em relação ao que vem de fora.
Há cerca de um mês, alunos e professores da ONG Orquestrando a Vida trocam os palcos pelo asfalto. Nos sinais localizados em pontos estratégicos de Campos, os músicos alternam apresentações e vendas de DVD com concertos do grupo. Com 20 anos de história, o projeto passa por dificuldades financeiras devido à falta de apoio público e da iniciativa privada. Para manter aberta a ONG, os artistas contam com o apoio da população.
Na noite de domingo (2), a população campista acompanhou os momentos finais da eleição para os cargos de prefeito e vereador. A apuração trouxe um resultado não esperado para o momento: a vitória do candidato da oposição Rafael Diniz (PPS).
Uma porta cinza é aberta todos os dias da semana, no início da manhã. A abertura única deixa visível, em um pequeno ponto na rua Carlos de Lacerda, Jorge Mayerhofer Ribeiro, de 75 anos, bem ao estilo Gepeto, da fábula de Pinóquio. Vestido com uma bermuda preta e camisa azul quadriculada, ele se senta em um banquinho de madeira envernizada para criar. As paredes azuis estão desgastadas pelo tempo. O chão, coberto por serragem, tem espaço para abrigar outros bancos, móveis e materiais com os quais o idoso monta, remonta e conserta objetos encomendados. Com mãos habilidosas e auxílio de régua, caneta e ferramentas, contrariando a era da tecnologia, ele marca, fura, serra e lixa madeiras para construir porta-joias, gaiolas, cofres e brinquedos. No local, não restam produtos à mostra. Todos eles são feitos e vendidos rapidamente.
Tempos de propaganda eleitoral, militância em redes sociais e debates entre candidatos trazem novidades à população. É comum que concorrentes que fazem parte da situação, assim como seus militantes, elogiem e engrandeçam fatos e feitos relacionados à gestão vigente. Em Campos, o padrão é mantido.
Após o primeiro debate ocorrido na noite de domingo, transmitido pela TV Record, o quadro típico chegou a proporções desmedidas, principalmente nas redes sociais. Durante aproximadamente duas horas, os candidatos Rafael Diniz, Caio Vianna, Rogério Matoso, Dr. Chicão, Pudim e Nildo Cardoso comentaram suas propostas e criticaram – os da oposição – o poder público.
Conforme seu posicionamento e posição, Dr. Chicão, que não compareceu ao segundo debate da semana* (promovido pelo Fórum Interinstitucional de Dirigentes do Ensino Superior de Campos, Fidesc, na Uenf), defendeu os projetos sociais criados pelo governo e afirmou que dará continuidade a eles, assim como asseguraram os demais candidatos. Mas não é só de benefícios que vivem os moradores de Campos.
Elogios à saúde – especialmente a programas de vacinação –, às vilas olímpicas e aos investimentos urbanos foram feitos no encontro entre os concorrentes à Prefeitura. Enquanto o discurso aponta para uma cidade, fatos mostram outra. Diariamente, são veiculados em matérias problemas relacionados ao município. Entre eles, 