Um pequenino exemplo do país que dá errado
28/08/2015 | 11h47
O João, trabalhador do Brasil, completou 65 anos. Dirigiu-se à agência do INSS, com a papelada e documentos para dar entrada no pedido da sua aposentadoria por idade. INSS em greve, mesmo assim foi atendido; fizeram-lhe algumas exigências de comprovações de tempo de serviço. João correu atrás. Foi lhe dado prazo de um mês para tal fim. No prazo João conseguiu o que necessitava, voltou ao INSS, mais uma vez atendido. Agora, já com o número do benefício futuro, era só esperar que uma "cartinha" seria remetida pelo órgão à sua residência. Prazo correndo, João na expectativa da missiva que sacramentaria a liberação da aposentadoria, de qualquer modo tranquilo: receberia o provento a contar da data em que dera entrada. Pois para espanto, surpresa e finalmente indignação, anteontem ao acordar, nosso cidadão recebeu a ligação de uma "Central de Crédito Consignado". A moça falava sobre um crédito - com juros mais baixos que os praticados pela rede bancária -  já disponível sobre "um recente benefício aprovado" que seria pago a partir do 1 de setembro?! Presumindo: Antes mesmo da resposta oficial do INSS - lembrem que está em greve - João ficou sabendo por uma dessas tais instituições de crédito que pululam no país que a sua aposentadoria já estaria consignada e qual o valor. Também ficou sabendo em qual banco e qual agência receberia mensalmente o benefício. Desconfiado, João disse que iria pensar e pediu a razão jurídica da Central. Desconversaram e não lhe foi dito, mas sim repassado um 0800 e o nome de duas pessoas caso resolvesse contratar o tal crédito. Quer dizer, mesmo em greve, o INSS repassa imediatamente a informação interna (ainda) que nem oficialmente tenha sido informada ao beneficiário. Ficam as perguntas:
  1. Esta não é exatamente uma das denúncias que corre na Lava-Jato, contra uma ministra que supostamente teria "vendido" o cadastro de aposentados e pensionistas do INSS em troca de ajuda para campanha eleitoral? Mesmo sob investigação a suspeita prática continua?
  2. Fica clara a urgência do canto da sereia. É constrangedora a captação dos parcos recursos dos nossos sofridos "velhinhos".
  3.  Com os escorchantes juros praticados pelo mercado financeiro brasileiro é uma covardia com a nossa população de gentilmente coagi-la com as ditas "vantagens de juros menores".
EITA PAÍS!
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"Não se pode escrever nada com indiferença"
09/01/2014 | 06h27
Ícone das mulheres em processo de emancipação, escritora e filósofa, Simone Beauvoir faria hoje 106 anos. Parceira e colaboradora do também escritor francês Jean-Paul Sartre, com ele formou dos pares intelectuais mais emblemáticos, em meados do Século XX. Algumas frases desta pensadora: “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.” “Não se nasce mulher: torna-se.”      “Querer-se livre é também querer livres os outros.” "Viver é envelhecer, nada mais." "Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento." "Em todas as lágrimas há uma esperança." “Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.”
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Aos pais de ontem, hoje, sempre
10/08/2013 | 11h25
[caption id="attachment_6806" align="alignright" width="300" caption="Foto: Mario Quintana"][/caption] AS MÃOS DE MEU PAI [Mario Quintana] As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis sobre um fundo de manchas já da cor da terra - como são belas as tuas mãos pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos… Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida. E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta, uma luz parece vir de dentro delas… Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo, como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento? Ah, Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos! E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas… essa chama de vida – que transcende a própria vida …e que os Anjos, um dia, chamarão de alma. - no livro "Esconderijos do tempo", Editora Globo, 2ª Ed. 1994. * da rede social Facebook,  página oficial do Templo Cultural Delfos
Site de artes/humanas - Página Oficial do Blog Elfi Kürten Fenske
http://www.elfikurten.com.br/
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MARIA DA PENHA
11/05/2013 | 11h28
Ela existe em Campos, está no coração de cada cidade brasileira. Saímos, na sexta-feira da Redação para uma entrevista, matéria dos dias das mães. Centro movimentado, ruas cheias,  a data comercial se tornou importante para a economia. Passamos por ela, sentada no chão da calçada, na Rua João Pessoa. Uma parada. Como não repartir o registro que enxergamos;  quase invisível ao frenesi do consumo. Tem filhos? Muitos, tirando os que Deus levou, cinco. Você tem casa Maria? Saí, não aguentava mais. A gente precisa de casa de noite, tenho onde dormir. Você anda? Ando, ando sim. Ela gesticula, cabelos eriçados, quer falar, relatar a caótica realidade, dizer dos seus medos. Sua imagem choca, jogada assim no passeio público, em pleno dia, entregando um chiclete qualquer como em um pedido digno de esmola. Como será que Maria da Penha irá passar o ‘Dia das Mães’? [caption id="attachment_6246" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Valmir Oliveira"][/caption]    
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"E se todos vivêssemos juntos?"
24/10/2012 | 04h39
"E SE TODOS VIVÊSSEMOS JUNTOS?" LUCIANA PORTINHO Longa francês produzido em 2010, de Stéphane Robelin (Et si on vivait tous ensemble?). De modo otimista, enfoca a reta final na vida de cinco amigos, sem nenhum problema financeiro aparente, de uma pequena cidade francesa. Em comum e ao seu modo, cada um deles afasta o figurino das perspectivas empobrecedoras com o qual a sociedade tenta lhe enfiar pela cabeça no presente. Decidem, em nome de suas dignas histórias particulares, encarar a perecibilidade e resistir. Sentindo-se postos meio de escanteio pela sociedade e respectivas famílias, o grupo (dois casais e um viúvo), são melhores amigos por mais de quatro décadas. Enfrentando problemas semelhantes, esquecimentos, desejos, sonhos realizados e a realizar, resolvem, não sem diferenças, celebrar o quê - para cada um e para todos - têm em comum: a vontade de usufruir daquilo que o presente ainda oferece de bom. [caption id="attachment_5060" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Google"][/caption]   Claude um tremendo solteirão convicto apaixonado pelas mulheres se descobre com problemas cardíacos. Jean um revolucionário romântico é casado com Annie (Geraldine Chaplin) que se ressente do afastamento dos netos. Jeanne (Jane Fonda) é uma feminista, ela sabe estar gravemente doente. Casada com Albert que cada vez mais apresenta problemas de memória ela decide não comunicar sua morte eminente ao companheiro, para poupá-lo da ansiedade do sofrimento futuro. Com uma visão poética da vida, Jeanne uma setuagenária resolvida, escolhe com requinte de humor os detalhes do cenário para o seu funeral personalizado. Quando o filho de Claude decide pô-lo num asilo, os cinco amigos optam por uma experiência comunitária, vão morar juntos em uma mesma casa, como em uma comunidade hippie. A eles se junta ainda o jovem etnólogo alemão Dirk (Daniel Brüh, Adeus, Lênin) que estuda o envelhecimento da população francesa, ou seja, dos próprios. Interessante que cada qual mantenha sua chama interior preservada, partilham algumas identidades no gosto e na postura frente à existência, expressam alegria de estar na companhia uns dos outros. É uma comédia romântica, que apresenta como possível a manutenção de uma vida viva em idade avançada desde que preservados sejam o sonho, a amizade e a sutileza no cuidado ao lidar com as mazelas do outro, exatamente como gostaríamos que cuidassem das nossas. Um filme suave. Dele, a plateia sai da sala de projeção de algum modo bem, disposta para enfrentar os males da velhice como a um desafio de jovem. * publicado na Folha Dois, sábado (20/10).
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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