Gabriel Torres
25/03/2026 08:05 - Atualizado em 25/03/2026 08:06
Um dos alunos afetados estuda no Colégio Estadual José Francisco de Salles, no bairro IPS
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Foto: Rodrigo Silveira
Pais de alunos autistas têm denunciado a falta de cuidadores em colégios estaduais em Campos devido à falta de pagamento aos profissionais pelo Instituto Positiva Social, empresa terceirizada responsável pelo serviço. Como consequência, os alunos ficaram sem o suporte essencial e algumas mães têm optado por não enviar os filhos às escolas. Segundo a Secretaria de Estado de Educação, os repasses estão em dia e a empresa foi notificada para que comprove os pagamentos.
A professora Célia Barbosa da Silva Pereira tem seu filho autista de 12 anos matriculado no Colégio Estadual José Francisco de Salles, no IPS. Ela formalizou denúncia ao Ministério Público e destacou que o acompanhamento do cuidador é indispensável para a permanência na escola com segurança e dignidade.
“Sem esse profissional, ele já apresenta riscos concretos como desregulação emocional, dificuldade de adaptação, prejuízo no desenvolvimento pedagógico e social, além de possível interrupção do seu processo educacional”, disse.
Já o filho de Renata Polidoro é um adolescente autista de 16 anos, não verbal, e também está sem ir à escola neste mês de março devido à falta de cuidadores. Ele é aluno do Colégio Estadual Constantino Fernandes, no Jóquei.
"Ele é não verbal e não tem condições de ficar sem companhia. O cuidador que fica com meu filho disse que a empresa não dá satisfação para eles cuidadores em relação a pagamento. Com isso, eles pararam e as crianças estão sem poder ir para escola", disse Renata.
Outra mãe atípica, Daniele Corrêa Costa tem deixado de trabalhar para ficar na escola com a filha de 13 anos, que é aluna do 8º ano no Colégio Estadual Coronel João Batista de Paula Barroso, em Goitacazes.
"Está sem cuidador desde a primeira semana de março. A cuidadora está sem receber as férias de dezembro e o pagamento de fevereiro. Não posso deixar minha filha na escola sozinha, sujeita a vulnerabilidade, pois tem dias que não tem aula de algumas matérias. Me impedindo de realizar meu trabalho e, ela, a inclusão e a ponte de vínculo extracurricular", falou Daniele.
De acordo com a Seeduc-RJ, o repasse de verbas está em dia e a empresa terceirizada responsável foi notificada para que cumpra o contrato e comprove o pagamento dos funcionários.
“A Secretaria de Estado de Educação esclarece que os repasses financeiros à empresa contratada estão rigorosamente em dia, sendo uma inverdade qualquer narrativa de que há atrasos por parte do Estado. A empresa já recebeu reiteradas notificações para o cumprimento do contrato e a Seeduc exigiu que a mesma comprove os pagamentos aos funcionários. Além disso, a contratante foi formalmente notificada de que o descumprimento ensejará abertura de processo para rescisão unilateral do contrato e aplicação das sanções administrativas cabíveis, conforme determinação da Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ)”, informou a Seeduc-RJ.