Campos dos Goytacazes, 25/03/2026 08:57
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No dia do nosso poetinha, amantes que somos da vida, uma história real e crua não me sai da cabeça. Pensei dela construir personagens fictícios, mas, tão dura que é de tosca crônica não passará. Quem me contou o drama foi uma mulher forte que acorda todos os dias em Campo Grande, zona oeste da capital, as três e 45 horas da matina, para chegar às 7 horas em seu posto de trabalho. Janine é manicure em um cabeleireiro do Posto VI, no Rio de Janeiro. Escuto seu relato, primeiro me transportando à dureza de vida dessa senhora que diariamente se desloca do subúrbio e, para ser pontual, prefere se despencar em três conduções na madrugada e “fugir” da maralha que é o tráfego de gente, ao vir e voltar todos os dias da casa para o emprego, do emprego para casa. Não me perguntem como da história da vida de Janine pulamos para, aí sim, a absoluta desgraça em que vive parcela considerável da população deste meu querido país. Sei que conversávamos sobre as manifestações, os black bocks, sobre o Cabral, de lá fomos para as UPPs, o Amarildo e finalmente sobre o tráfico na Rocinha. Era hora do almoço, mesmo assim, Janine abriu espaço em sua agenda, quis me atender. De marmita em punho, ela baixinho me disse: “Antes deixava minha comida na copa do salão, mas, perdi a confiança nas meninas depois que Maria (ex-colega, moradora da Rocinha) sem mais nem quê confessou ter tentado assassinar seu ex-companheiro”. Tinha levado mais uma coça dele, o ódio a dominou, decidiu mata-lo. Morreria lentamente com doses mínimas de chumbinho misturadas na janta. O homem um dia baixou hospital, uma gastrite horrorosa o corroía. Lá, os exames desmascararam o envenenamento. Chegando à casa, sem palavra alguma, ele deu surra ainda maior. Maria pediu ajuda ao comando do tráfico. Comeram o homem na porrada; expulso de casa, na favela proibido de pisar. Obrigado está a pagar o aluguel de Maria até o fim dos dias. Maria estava grávida, terceiro filho que deixou com a mãe no Ceará para criar. Nesta mesma noite, eu e minha prima refletimos sobre a ausência do Estado, os Tribunais e as Leis. Ainda assim sei que do nada, do abaixo do nada, é preciso que brote a poesia.
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No Rio de Janeiro, evidente que para além da exaltação popular com políticos, política e autoridades públicas em geral, há uma organização articulada e inteligente por dentro dos últimos episódios na Zona Sul. Não me parece mais uma manifestação espontânea. Não nego que existam tantos de boa fé política, que sobrem motivos para uma implosão social, mas, lá o eixo se inverteu. Alguns aspectos do que acontece no Rio de Janeiro intrigam. Um deles é o despreparo da inteligência policial.
O secretario de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que o governo está adotando medidas flexíveis para conter o vandalismo nas manifestações, procurando um caminho intermediário entre a ausência e a austeridade, numa situação caótica. “Estamos aprendendo com o processo”, afirmou Beltrame. Segundo o secretário, a polícia agiu com tolerância e discernimento no policiamento desta madrugada, apesar de ter sido atacada pelos manifestantes radicais. “Não temos um planejamento fixo. Vamos manter a postura flexível e, a cada protesto, fazer avaliações e ajustes necessários”, afirmou Beltrame, acrescentando que não existe um protocolo para situações de turbas ou conflitos.
Tá bom, que como disse o Beltrame não exista um manual de procedimentos. Em táticas novas virtuais um manual seria rígido e velozmente fadado ao fracasso. Mas, como não percebem quando esses mascarados chegam, de onde eles vêm e para onde vão ao final do quebra-quebra? Porque não os prendem em flagrante quando as câmeras das TVs os filmam jogando pedras nas fachadas dos estabelecimentos? Porque não baixam, uma determinação que proíba o uso de máscaras, por tempo necessário como fará a segurança do Papa?
Bom lembrar que o crime organizado há muito, facilmente, se organiza e se comunica de dentro dos presídios, com total desenvoltura.
Não penso em grande conspiração, nem tese de golpe militar. Claro que também podem ter adversários políticos do Cabral, de olho em 2014, tirando casquinha do inferno astral que se abateu sobre o governador desde as primeiras manifestações de junho.
Tudo bem estranho, turvo, de difícil compreensão.
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Nota do governo do estado (divulgada na imprensa hoje, 28/01)
"O Governo do Rio de Janeiro decidiu preservar o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã. O Estado ouviu as considerações da sociedade a respeito do prédio histórico, datado de 1862, analisou estudos de dispersão do estádio e concluiu que é possível manter o prédio no local.
O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes vão agora tomar a iniciativa de fazer o tombamento do imóvel.
O Governo está tomando as devidas providências para que o local seja desocupado dos seus invasores. O Governo do Estado comprou em 2012 da Conab o imóvel, composto por esse e outros prédios, pelo preço de RS 60 milhões. O Ministério da Agricultura já está desocupando os demais prédios existentes no local, que serão demolidos para garantir o fluxo de pessoas no entorno do estádio.
O restauro do prédio do antigo Museu do Índio ficará a cargo do concessionário vencedor da licitação do Complexo do Maracanã, cujo edital sairá em fevereiro.
O destino do prédio, após o tombamento, será discutido conjuntamente entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro".
Breve histórico
A área disputada entre o governo e os índios pertenceu ao Duque Luís Augusto de Saxe, marido da princesa Leopoldina, filha mais nova de D. Pedro II. Ali, entre 1850 e 1890, ficava o Palácio Leopoldina.
Em 1915, o marechal Rondon criou, no prédio, o Serviço de Proteção ao Índio, atual Funai. Em abril de 1953 foi criado o Museu do Índio.
Em 1977, sob direção de Darcy Ribeiro, o museu foi transferido para Botafogo, zona sul. Os índios ocuparam o espaço, que estava abandonado, em 2006.
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Vamos lá, os pretensos Papais Noéis do Rio de Janeiro estão sem local apropriado para estudar, é que o incêndio de 2011 que atingiu o Edifício Riqueza, no sábado passado (13\10), completou um ano. No edifício, na Praça Tiradentes, Centro, ficava a Escola de Papais Noéis do Brasil, desde quando foi fundada em 1993.
Para chamar a atenção das autoridades e clamar por providências “Papais Noéis” resolveram protestar na rua, em frente ao local e não sem razão. Desde a interdição\explosão do prédio a direção da escola tem sido forçada a formar os interessados nos cursos de ‘Papais Noéis’ e ‘Noeletes’ em bancos da Praça Tiradentes. Situação que se repete, desde terça-feira (16\10) quando nova turma se inicia. [caption id="attachment_5042" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Jornal do Brasil"]
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Projeto do maior especialista em luminotécnica do Brasil, Peter Gasper, a iluminação irá ressaltar a obra e o desenho do pilar, inspirado no biguá, um pássaro frequente na região. A ponte – que faz parte do caderno de encargos do Governo do Estado para os Jogos Olímpicos de 2016 – receberá as mesmas cores de outro ponto turístico do Rio, o Cristo Redentor. Eu, olhando para imagem, enxergo nela uma graciosa perna de bailarina, ou então, daquelas nossas meninas do nado sincronizado
Além de cumprir a função social de embelezar a paisagem carioca, a ponte construída sobre o Canal do Fundão tem 780 metros de extensão e ajuda a desafogar a saída da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, para a Linha Vermelha. Construída em concreto branco, a obra faz parte do plano diretor da UFRJ e do Programa de Revitalização do Canal do Fundão, financiado pela Petrobras, e realizado em parceria com a Secretaria Municipal do Ambiente. Nós aqui em Campos que temos um rio tão especial como o Rio Paraíba do Sul a cortar a cidade em duas bandas, permanecemos chupando os dedos e na torcida para que intervenções duradouras e belas também sejam feitas em nosso espaço urbano.