Dupla é presa por suspeita de envolvimento em ataque que vitimou criança em Campos
Dois homens foram presos nesta sexta-feira (25), em Campos, por suspeita de envolvimento em um ataque a tiros no dia 9 de agosto deste ano, no Parque São Mateus, em Guarus, que resultou em um duplo homicídio. Contra ambos constavam mandados de prisão em aberto. Entre as vítimas do ataque violento estava uma criança de apenas 5 anos de idade. O local das prisões não foi informado até o momento.
De acordo com a polícia, os presos são conhecidos pelos vulgos “Leão” e “Thor” e seriam apontados pelas investigações como os autores do ataque a tiros ocorrido no Parque São Mateus. A ação criminosa resultou na morte de duas pessoas: Bernardo Leite de Oliveira, de apenas cinco anos, e Cristiano Ribeiro, de 37 anos. As vítimas estavam na rua quando homens em um carro passaram pelo local atirando. Outras três pessoas ficaram feridas, foram socorridas para o Hospital Ferreira Machado (HFM) e receberam alta poucos dias após o ataque.
Ainda segundo a polícia, as prisões desta sexta aconteceram durante operação conjunta das polícias Civil e Militar. Após cruzamento de dados de inteligência policial e monitoramento contínuo de campo foi identificado o paradeiro exato da dupla e a abordagem aconteceu sem riscos a terceiros, conforme informou a polícia. No momento do cerco policial, ambos foram contidos sem que houvesse confronto.
Durante revista na casa do homem identificado como “Leão”, foram encontradas uma pistola calibre .40, acompanhada de dois carregadores, sendo um deles alongado, além de 46 munições intactas do mesmo calibre. Diante da apreensão do armamento e das munições, ele foi preso em flagrante.
Os suspeitos foram encaminhados para a 146ª Delegacia de Polícia para a formalização dos procedimentos legais cabíveis e vão permanecer à disposição da Justiça. O caso segue em investigação.
Comoção pela morte da criança e relatos de insegurança na região
A morte de Bernardo gerou grande comoção social na comunidade local. Familiares e conhecidos realizaram mais de uma manifestação em Guarus para cobrar respostas sobre o caso. O pedido era de que a justiça fosse feita e destacando que a criança não deveria ter passado por isso. Os manifestantes apontaram também a insegurança de viver no local devido aos recorrentes registros de criminalidade.
Jéssica Barbosa é conhecida da família e esteve em algumas das manifestações que cobrava respostas sobre o ocorrido com o pequeno Bernardo. Ela comentou a sensação de insegurança no local.
“A gente já vive oprimido pela criminalidade e ainda oprimido pelo sistema, porque a gente não pode fazer nada. Sete horas da noite a gente tem que ficar dentro de casa. Eu sou uma mãe de família, saio para trabalhar e deixo minhas crianças dentro de casa, e eu fico com medo, porque eles entram dentro da nossa casa, dentro da nossa comunidade e matam a gente, os bandidos, e a polícia não faz nada. Já é a segunda criança em menos de 30 dias”, comentou.
Ela ainda acrescentou: “A gente já está cansado disso, até quando a população de Guarus vai viver refém da criminalidade? Tem uma pracinha linda e as crianças não podem ficar ali porque elas estão correndo com medo de ser morta, porque três horas da tarde um carro com quatro homens, com metralhadora, para em uma pracinha e saem atirando a fogo livre em todo mundo, cadê a polícia?”, questionou.
O ataque a tiros
A Civil informou que os disparos foram efetuados por ocupantes de um veículo Hyundai Creta, de cor prata, na Rua Bartolomeu Lizandro, em frente a uma creche da região. Três pessoas, sendo dois homens e uma mulher, precisaram ser encaminhadas para o Hospital Ferreira Machado (HFM) ao serem feridas durante o ataque e relataram o que testemunharam para a polícia.
Segundo as vítimas, o veículo passou pelo local, saiu e retornou depois, abaixou os vidros e os ocupantes, que seriam dois até então, efetuaram diversos disparos na região. As vítimas foram atingidas, cada uma, com tiros na panturrilha, nas costas e no pé.
Já em relação às vítimas fatais, a criança chegou a ser encaminhada ao centro cirúrgico, mas não resistiu aos ferimentos. O homem morreu ainda no local. Durante a perícia, foram recolhidos um estojo de munição calibre 9mm e um projétil.