Incêndio é registrado no camelódromo no Centro de Campos
Ingrid Silva, Júlia Alves e Matheus Mesquita 10/09/2026 07:43 - Atualizado em 10/09/2026 16:40
Foto: Reprodução e Rodrigo Silveira
Um incêndio foi registrado no início da manhã desta quinta-feira (10) no Shopping Popular Michel Haddad, o camelódromo do Centro de Campos. Segundo o Corpo de Bombeiros, não houve registro de feridos. Porém, as chamas tomaram a atenção de quem passava pelo local, também com bastante fumaça.
Vídeo:
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Os bombeiros do 5º GBM foram acionados para o incêndio por volta das 6h20, na Rua Barão do Amazonas. Equipes estiveram no local para apagar as chamas, o que durou mais de uma hora.
Estrago no camelódromo do Centro de Campos
Estrago no camelódromo do Centro de Campos / Foto: Rodrigo Silveira
Três lojas foram diretamente atingidas pelas chamas e tiveram perda total. A loja de calçados e dois boxes de uma loja de acessórios de celular ficam localizados lado a lado no camelódromo. Já a banca de óculos fica na parte de trás, de frente para a rua. Além das mercadorias, a estrutura dos boxes também sofreu danos. Segundo apuração no local, a loja mais atingida era de calçados, que perdeu grande parte da mercadoria. Até o momento, a informação é de que as chamas teriam iniciado na banca de celular e foi se espalhando para a de calçados e a de óculos.
Foto: Rodrigo Silveira


Além dos estabelecimentos mais atingidos, outras bancas do camelô tiveram danos provocados pelo incêndio e pelo trabalho de combate às chamas. Houve casos de placas e letreiros queimados, portas e mercadorias danificadas, além de estruturas molhadas pela água utilizada para apagar o fogo.
Júlia Alves
Ainda pela manhã, proprietários de boxes próximos aos estabelecimentos atingidos pelo incêndio chegavam ao local para verificar se houve possíveis prejuízos em seus pontos comerciais.
Foto: Julia Alves
O secretário de Segurança e Ordem Pública de Campos, tenente-coronel Maxwell Araújo, contou que a fumaça foi percebida enquanto equipes do município estavam nas proximidades da Ponte Leonel Brizola e que a Guarda Civil Municipal (GCM) acionou rapidamente o Corpo de Bombeiros.

“Estávamos ali naquela interdição da ponte quando observamos uma fumaça. A Guarda Municipal, junto com a Secretaria de Ordem Pública, chegou ao local e acionou rapidamente o bombeiro. O bombeiro veio rápido ao local, o que impediu da chama se alastrar. Ajudamos aqui através do Poder Público, trazendo a Limpeza Pública, trazendo aqui a Codemca. A Limpeza Pública está ajudando a tirar os materiais que foram perdidos durante o incêndio. Estamos montando aqui um caminhão para ter o descarte apropriado, e a Codemca está fazendo levantamento dos boxes que foram, a princípio, quatro”, explicou.
Proprietária da loja de acessórios de celular, Edineia Rodrigues Rangel contou que estava dormindo quando recebeu a notícia do incêndio. Ela foi até o camelódromo acompanhada do marido e encontrou o estabelecimento já tomado pelas chamas.

“Eu estava dormindo, aí meu telefone tocou. Meu esposo levantou para atender e era o pessoal avisando do ocorrido. Aí meu esposo e eu pegamos e viemos para cá, e chegamos aqui e nos deparamos com essa situação lamentável”, relatou.

Segundo Edineia, não foi possível retirar nenhuma mercadoria da loja. Ela afirmou que havia diversos produtos no estabelecimento, incluindo uma televisão, e que ainda não consegue estimar o tamanho do prejuízo.

“Não deu tempo de salvar nada. Já estava bem alastrado aqui. Não tinha mais o que fazer. Olha, não tenho nenhuma ideia [do prejuízo], porque a banca tinha de tudo. Eu estava com muita mercadoria, televisão… É tentar recomeçar, né, que é o nosso ganha-pão”, afirmou.

Edineia também contou que a família já trabalhava com uma banca de acessórios antes de chegar ao atual espaço do camelódromo. Segundo ela, são cerca de seis anos de atuação no comércio, sendo aproximadamente três anos no atual local.

A proprietária da loja de óculos, Thamyres Bomaro contou que foi avisada sobre o início do incêndio na banca localizada nos fundos. Segundo ela, os equipamentos disponíveis no camelódromo para o combate às chamas não teriam funcionado.

“Avisaram pra gente que estava tendo incêndio na banca de trás, tinha acabado de começar o incêndio. Só que os extintores e as saídas de água que tinha aqui, nenhum funcionou, e aí o fogo se alastrou e já estava tudo queimado”, relatou.
Rodrigo Silveira


Thamyres afirmou ainda que a loja funciona há 14 anos e que mais de 600 óculos foram destruídos. Além dos produtos, ela disse que a estrutura do estabelecimento também foi danificada.

“A loja vende óculos há 14 anos no camelô. Tinha mais de 600 óculos, então eu não tenho como ter uma base do prejuízo, porque não foram só os óculos. Foram expositor, vidro, teto, parede, iluminação. Está tudo perdido, não sobrou nada”, afirmou.

A comerciante disse que pretende recomeçar, mas questionou a estrutura de combate a incêndios do local. Segundo Thamyres, o Corpo de Bombeiros teria realizado uma vistoria no camelódromo meses atrás e informado que a parte hidráulica estava em condições adequadas.

“Agora vamos recomeçar do zero, se Deus permitir, e seguir em frente. Mas é um prejuízo e uma dor, porque se tivesse funcionado a parte hidráulica, porque os bombeiros estiveram aqui há uns meses atrás e falaram que estava tudo perfeito, poderia continuar funcionando o camelô. E, no momento do incêndio, não conseguiu funcionar. Eu não sei onde mais tem erro nisso”, disse.
Vídeo do depoimento:

Ainda de acordo com a comerciante, o funcionamento dos equipamentos poderia ter evitado que o fogo se espalhasse para outras bancas. “É um prejuízo e é inadmissível o que aconteceu. Eu sei que acontece, mas se tivesse um respaldo poderia evitar um prejuízo desse tamanho, porque não foi só a minha banca, tem mais bancas lá pra dentro que pegaram fogo”, completou.
Irregularidades foram encontradas no espaço, diz Corpo de Bombeiros
Em contato com a Folha, o Corpo de Bombeiros informou que foi realizada vistoria no empreendimento no dia 20 de janeiro deste ano. Segundo a corporação, foram identificadas irregularidades nos sistemas preventivos contra incêndio e as situações constatadas foram registradas em notificação, entregue ao responsável pela administração do local.
"Entre as irregularidades apontadas estavam sprinklers defeituosos; ausência de mangueiras de incêndio e necessidade de novos testes nas já existentes; falta de esguichos e chaves de mangueira; necessidade de manutenção dos alarmes de incêndio; ausência ou necessidade de manutenção de luminárias de emergência; e de recarga dos extintores", informou a corporação.

Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, o empreendimento possui Certificado de Aprovação válido até o dia 23 de novembro de 2027 e destacou que o sistema preventivo existente no local não funcionou durante o incêndio desta quinta-feira, como havia sido relatado também pelos comerciantes que estavam no momento do ocorrido.
"O Grupamento de Bombeiro Militar responsável pela área foi orientado a dar continuidade às ações de fiscalização, e uma nova visita ao local será realizada para o prosseguimento do processo. Durante o atendimento à ocorrência desta quinta-feira (10), o sistema preventivo existente no local não funcionou. As chamas, no entanto, foram rapidamente controladas pela atuação dos bombeiros militares e pelo emprego de equipamentos próprios do CBMERJ", disse a nota.

O CBMERJ ressaltou ainda que, conforme estabelece o Decreto Estadual nº 42/2018, cabe aos responsáveis pela edificação a instalação e a manutenção dos sistemas de segurança contra incêndio. A Folha entrou novamente em contato com a prefeitura de Campos, através da Companhia de Desenvolvimento do Município de Campos (Codemca), que seria responsável pelo local e estaria apurando as causas. 
Procurada pela Folha, a prefeitura informou que a Codemca está fazendo um levantamento dos permissionários atingidos e dos danos materiais. Equipes da Superintendência de Limpeza Pública estiveram no local, enquanto a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública atuou no ordenamento do trânsito.
"As circunstâncias e as causas do incêndio estão sendo apuradas. Neste momento, não é possível antecipar conclusões antes da realização da perícia e emissão dos respectivos laudos", disse a nota. 
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