Documentário sobre Usina Cambahyba é alvo de medida judicial antes de estreia
Dora Paula Paes - Atualizado em 10/09/2026 15:54
Marcelo durante apresentação em Macaé
Marcelo durante apresentação em Macaé / Reprodução

O diretor e produtor Marcelo Fonseca tornou-se alvo de uma medida judicial que pede a retirada de conteúdos e prevê possibilidade de responsabilização civil e criminal antes mesmo da circulação do documentário "Usina Cambahyba". A produção investiga denúncias de incineração e ocultação de corpos de opositores políticos durante a ditadura militar na antiga Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes.

Baseado em documentos da Comissão Nacional da Verdade, pesquisas acadêmicas e investigações do Ministério Público Federal, o filme recupera, entre outros relatos, declarações do ex-agente do DOPS Cláudio Guerra sobre o transporte e a incineração de corpos de 12 desaparecidos políticos que teriam ocorrido na usina. Guerra foi condenado em primeira instância, em 2023, a sete anos de prisão pela ocultação dos cadáveres.
A medida judicial ocorre em meio ao processo de divulgação e circulação da obra. Segundo Marcelo, a iniciativa busca responsabilizá-lo pelo conteúdo relacionando à Usina Cambahyba, apesar do caráter histórico e documental das fontes que embasaram a obra do curta-metragem. 

A repercussão em torno da obra e as preocupações com a segurança de Marcelo Fonseca fizeram com que a primeira exibição pública, em Macaé, no último dia 19 de agosto, contasse com escolta policial. Também foi iniciado encaminhamento para o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas.

Realizado pela Outrar Produções, com recursos do Ministério da Cultura e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o documentário tem parceria do LEIT/UFF e do LEDA/UFF, além do apoio de entidades ligadas à memória, verdade, justiça e reparação.

No dia 15 de setembro, às 10h, Usina Cambahyba será exibido na sede do Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, seguido de debate mediado pelo procurador da República Julio Araújo. Entre os participantes estarão Marcelo Fonseca, Felipe Santa Cruz, a juíza federal Maria Isadora Tiveron Frizão e o historiador Lucas Pedretti.
Com informações da assessoria. 

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