Com 180 notificações, inverno acende alerta para doenças respiratórias
O período do inverno acende o alerta para a maior incidência de doenças respiratórias. Outro agravante para a incidência das doenças é a fuligem proveniente das queimadas. Segundo a subsecretaria de Vigilância em Saúde de Campos, de janeiro até o dia 23 de junho, foram registradas 180 notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados, com crianças e idosos sendo as faixas etárias mais atingidas.
De acordo com a subsecretaria de Vigilância em Saúde, das 180 notificações de SRAG, 88 pacientes necessitaram de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nove evoluíram para óbito e 131 já receberam alta hospitalar. A faixa etária mais atingida foi a de crianças de 0 a 11 anos, com 132 registros, seguida por pessoas com 60 anos ou mais, com 24.
Segundo a pasta, os dados evidenciam um cenário compatível com o período de maior circulação de vírus respiratórios, com a predominância de casos em crianças que necessitam de hospitalização pediátrica, que reforça a necessidade de intensificação da vacinação dos grupos prioritários. De acordo a Vigilância em Saúde, somente 31.498 doses foram aplicadas, ou seja, 24,18% de cobertura.
“Como medida de prevenção, a SUBVS, por meio do Programa Municipal de Imunização, mantém a vacinação de rotina em mais de 40 salas de imunização distribuídas pelo município. Além disso, desenvolve o Plano de Enfrentamento às Síndromes Respiratórias Agudas Graves, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia e a Subsecretaria de Atenção Primária à Saúde, através do Programa Saúde na Escola (PSE), e a Secretaria Municipal de Defesa Civil”, explicou a subsecretaria.
Entre as recomendações para o período estão manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, evitar aglomerações e ambientes fechados, reduzir a exposição à poluição e a alérgenos, utilizar máscara quando houver sintomas respiratórios, manter adequada hidratação oral e das vias nasais com soro fisiológico, além de garantir a ventilação dos ambientes e adotar medidas para reduzir o acúmulo de poeira e ácaros.
Fuligem também prejudica saúde e incomoda
Outro fator que contribui para a incidência de doenças respiratórias é a fuligem proveniente das queimadas. E há quem reclame do forte cheiro de fumaça que exala pelo ar, principalmente no período de fim de tarde e início de noite.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que acompanha a queima da cana-de-açúcar e realiza o monitoramento das áreas cadastradas, na análise das programações de queima e na verificação do cumprimento da legislação ambiental. Além disso, o município de Campos faz parte do programa Fumaça Zero, que busca prevenir incêndios florestais.
“A iniciativa busca ampliar as ações preventivas aos incêndios florestais a partir de ações de educação ambiental nas comunidades, intensificação do monitoramento nas unidades de conservação estaduais e emissão de notificações para moradores que residem ao redor de áreas protegidas”, informou o Inea.
O presidente da Associação Norte Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), Tito Inojosa, pontua que o setor sucroalcooleiro não deve ser culpado pela maior incidência de doenças respiratórias. Ele argumenta que municípios não produtores de cana que também sofrem com o problema.
“As queimadas diminuíram muito na região. A lei continua sendo cumprida, que proprietário abaixo de 100 hectares pode continuar queimando. Cerca de 80% dos nossos produtores são pequenos e não tem máquina para cortar a cana do pequeno produtor. Quanto à questão das doenças respiratórias, em municípios que não tem queimada de cana, como Itaperuna, está do mesmo jeito ou pior. Tem uma infinidade de coisas que acontecem, queimadas em capim, pasto e outras coisas que caem nas costas da cana-de-açúcar”, analisou Tito.