À medida em que a Copa do Mundo avança e o Brasil permanece na disputa, alimentando o sonho do hexacampeonato, crescem as responsabilidades dos atletas e, sobretudo, do comandante Carlo Ancelotti. O Brasil não é um país qualquer nesse mundo do futebol. O Brasil é sempre o inimigo a ser batido e, quando entra num jogo de caráter eliminatório, o adversário treme. O Japão ameaçou menosprezar o Brasil e voltou para casa. Agora é a Noruega, outro país sem tradição, que nunca venceu uma copa, que faz pouco da seleção brasileira. Seu técnico Stale Solbakken (famoso quem?) na euforia pela vitória sobre a Costa do Marfim bradou uma advertência a Ancelotti, dizendo “vou te pegar”.
Imagino que o técnico mais laureado do mundo não deve ter nem dormido direito. Tudo bem, cinco minutos de fama para o norueguês e vamos em frente. O técnico da seleção brasileira tem mais com o que se preocupar, como, por exemplo, encaixar no time o substituto de Lucas Paquetá para o jogo deste domingo (5). Ancelotti, com sua larga experiência, avalia características dos jogadores que tem à disposição e a forma de jogar do adversário. Contra o Japão vimos o técnico mudar o comportamento do time diversas vezes, fosse com troca de jogadores, ou com a disposição tática do time. Mais do que simplesmente tentar, Ancelotti consegue convencer os jogadores sobre as tarefas a executar. E o time melhora dentro da partida. Isso é conhecimento, é talento, é credibilidade, propriedades que o transformaram neste profissional vitorioso que é. Claro que não é o técnico que bota a bola para dentro do gol, nem faz uma defesa milagrosa. Mas, ter um homem à beira do campo capaz de convencer em suas mexidas das peças do tabuleiro, faz toda a diferença para se alcançar o objetivo final. Ancelotti já entendeu que a responsabilidade que está sobre seus ombros é grande, mexe com a paixão de uma nação inteira e não quer decepcionar. Quanto ao senhor Solbakken, não passa de um aprendiz de feiticeiro.
Histórias de Copa do Mundo
Minha ida a Houston para acompanhar o jogo Brasil x Japão foi uma tremenda aventura, principalmente para quem já não tem mais vinte e poucos anos. A distância de Nova Jersey para Houston inviabilizava uma viagem de carro, de cerca de 20 horas. E de avião custava perto de oito a dez mil reais. Depois de ter abandonado a ideia da viagem, a pesquisa me achou uma passagem mais barata, mas que exigiu virar a noite viajando, com uma escala em Kansas City. No aeroporto dessa cidade descobri a sala do silêncio (quiet room) onde se pode dormir algumas horas, embora em posição bem desconfortável, um estranho compartimento sentado/deitado. Depois foi só seguir viagem levando a dor de coluna e muita disposição para fazer o trabalho de cobertura do jogo no estádio de Houston.