Sargento que salvou vítima de infarto já atuou em outros dois atendimentos em Campos
Policiais Militares atuam como anjos de farda em diversos momentos da carreira. Além do patrulhamento das ruas, atendimento de chamados de emergência, combate a crimes e proteção da população, muitos também marcam história com salvamentos de vidas. Esse é o caso do 1º sargento Júlio Cesar Manço, que salvou três vezes em quatro anos em Campos. O caso mais recente aconteceu nessa terça-feira (19), quando uma mulher teve uma parada cardíaca e foi socorrida em estado grave para o hospital após o agente realizar a massagem.
A vítima, identificada como Rosenete de Oliveira Rosa, de 64 anos, estava em uma padaria no centro da cidade quando passou mal. Segundo o sargento, que integra a equipe da Operação Segurança Presente, a rapidez no atendimento foi essencial para que a mulher fosse encaminhada com vida para o Hospital Ferreira Machado (HFM). Em atualização do boletim médico nesta quarta-feira (20), a unidade informou que Rosenete permanece em estado grave. Ela está sedada e entubada em observação na Unidade de Pacientes Graves.
Segundo testemunhas, a mulher estava no balcão da padaria mexendo no celular quando, de repente, caiu. A princípio, eles acharam que a pressão dela havia abaixado, momento em que os agentes apareceram e logo identificaram que se tratava de um caso de infarto. O sargento Júlio César relatou que estava na mesma padaria tomando café e que, por algum motivo, acabou permanecendo no local por mais um tempo, o que possibilitou agir rapidamente no socorro.
“No momento em que ela passou mal, as pessoas que seguraram nos acionaram. De prontidão tomando as atitudes fazendo os primeiros socorros e percebemos que haveria possibilidade da pressão dela estar abaixando. Começamos a administrar água nos pulsos dela e na nuca. Evitamos fazer com que ela ingerisse a água, porque não sabíamos qual tipo de situação seria. Depois de um certo tempo, ela veio perdendo os batimentos, o pulso, e eu percebi que o coração dela parou. Foi onde eu tomei a iniciativa de imediato. Deitamos ela ao solo e comecei a fazer a massagem cardíaca”, contou.
O agente estava em serviço com o sargento P. Oliveira que também teve papel fundamental na prestação de socorro à Rosente.
“Enquanto eu estive prestando assistência à dona Rose, o Oliveira fez contato com a emergência para proceder esse atendimento e, no momento essencial, que foi preciso, ele fez uma manobra para poder soprar o ar de respiro para ela. Foi o que fez com que ela conseguisse voltar, porque na minha mão, antes da chegada do bombeiro, eu tive a sensação de perda dela por quatro vezes e, nesse período, ele foi me auxiliando entre as massagens cardíacas e essa ventilação na via oral dela”, esclareceu.
Após a chegada dos médicos, o agente foi informado que Rosenete teve uma parada cardíaca de 15 minutos e que foi essencial a ação dos policiais.
O sargento Júlio Cesar Manço já esteve no 8º BPM de Campos e atualmente pertence ao Batalhão de Polícia Ambiental, da região Norte e Noroeste Fluminense. Há quatro anos, aconteceu outra coincidência do destino do sargento. Ele estava abastecendo o veículo quando resolveu voltar em Travessão para comprar óleo de carro. Segundo ele, não era necessário comprar o óleo naquele momento, mas algo o fez mudar a rota.
“Esses minutos que mudei a minha rota foram cruciais para que quando nós passássemos ali, em direção a Conselheiro Josino, fossemos interceptados por um pai com uma bebezinha no colo, desesperado, pedindo por socorro às margens da BR 101. Ela estava engasgada e fizemos a manobra de Heimlich, salvando a pequena. Foi muito emocionante o meu primeiro salvamento. Aquilo para mim foi uma experiência grande de vida. Graças a Deus, a Pérola está com muita saúde e vai fazer quatro anos”, relembrou.
No ano passado, o agente salvou outra bebê que também se chama Pérola. Na época, ela tinha apenas 27 dias de vida. Ele contou como foi a ação.
No ano passado, o agente salvou outra bebê que também se chama Pérola. Na época, ela tinha apenas 27 dias de vida. Ele contou como foi a ação.
“Estávamos em patrulhamento na altura da Codim, em Guarus, quando uma moto com um casal parou com uma bebezinha no colo. Eram os vizinhos da mãe da bebê. Eles pediam por socorro pois ela estava engasgada. Eles já haviam tentado ajudá-la, mas não conseguiram. Nós fizemos a manobra e conseguimos desengasgar a bebezinha. O que me surpreendeu é que, na hora que eu perguntei o nome dela, depois de ter salvado, é que era Pérola. Então, assim, eu tenho uma boa experiência em salvar as Pérolas”, contou.
Atualmente, a pequena tem nove meses de vida. A mãe de Pérola, Aline Gomes, relembrou como foi a situação.
“Eu botei ela deitadinha na minha cama, de lado, e eu estava sentada. Meu telefone tocou e eu olhei por alguns segundos. Quando voltei os olhos para ela, tinha uma poça pequena de leite e ela querendo respirar e não conseguia. Peguei ela no colo achando que assim ela ia respirar normal, mas eu vi que era bem mais grave. Eu estava sozinha, minhas filhas mais velhas estavam no centro e meu esposo estava trabalhando. No desespero, fui para a rua, vi minha vizinha e pedi ajuda. A Érica e o esposo pegaram a Pérola e foram em direção ao bombeiro que fica na Terra Prometida. No meio do caminho, sempre Deus coloca anjos no nosso caminho para ajudar e foi onde o sargento ajudou”, disse.
Aline conta que o sargento esteve na residência dela para confirmar as informações, momento em que ela o agradece pelo salvamento da bebê.
“Ele me explicou a situação e como ele fez. Agradeci muito a todos, porque eu acredito que se não fosse tudo muito rápido acho que minha filha estava morta. Sou muito grata à Deus pela minha vizinha e ele por ter salvado a minha filha. Ela está grande e saudável. Está bonita. Está com pneumonia, mas já estamos fazendo o tratamento e ela está melhorando. Hoje me encontro viúva, perdi meu esposo e pai da Pérola tem cinco meses. Mas Deus é maravilhoso na vida e da minha filha”, contou.