Fazenda Maruim Amada é ocupada por movimento da reforma agrária na BR 101, em Campos
A Fazenda Maruim Amada, na localidade de Caxeta, em Campos, foi ocupada por integrantes de um movimento independente da reforma agrária na noite desse domingo (3). O grupo permanece no local e a Polícia Militar chegou na manhã desta segunda-feira (4). Até o momento, a ocupação se encontra de forma pacífica bem próximo à BR 101, no km 104.
"Comunicamos que, nós, da Associação de Produtores e Familiares do Acampamento Leonel Brizola 02, ocupamos na noite de domingo, 03/05, a entrada da fazenda Maruim Amada. São 100 famílias acampadas há mais de dois anos no Acampamento Leonel Brizola 2 e, por conta de decisão anunciada pelo então deputado federal Lindbergh Farias, no dia 02/04, executamos a ocupação da fazenda neste domingo. Hoje, pela manhã, os arrendatários comunicaram a polícia militar e a polícia rural, que já estão a caminho", diz o comunicado dos integrantes.
O grupo informou que vai continuar acampado na área e reforçar com a Polícia Militar a intenção de permanecer de forma pacífica.
"É muito importante para nós estarmos aqui nessa ocupação e ter nosso advogado nos apoiando, porque já viemos aqui várias vezes e saímos, mas nós pretendemos ter nosso pedaço de terra aqui que nós precisamos. Somos independentes, somos trabalhadores, sempre estamos trabalhando na área rural, então é muito importante para nós ter um pedaço de terra, porque nós sabemos plantar, sabemos colher, mas até hoje nós não tivemos ainda essa chance de ter um pedaço de terra. É o que desejamos agora, nós ter esse pedaço de terra em nome de Jesus", comentou um trabalhador rural há mais de 15 anos na luta por terra e há dois anos acampado no Acampamento Leonel Brizola 2.
"A importância dessa ocupação aqui nessa área é que nós somos um grupo que vive lutando pelo direito de produzir na terra. A gente é um grupo de trabalhadores rurais e precisa muito ser independente, a gente precisa da nossa independência financeira. Então a gente vem lutando já há muito tempo por esse direito de poder produzir na terra e viver da terra. Essa é uma importância muito importante para a gente", disse outra trabalhadora rural acampada há três anos neste acampamento.
A Folha entrou em contato com a Polícia Militar e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para saber mais informações e aguarda retorno de ambos.
Ocupação em dezembro do ano passado
Em 2025, no mês de dezembro, o grupo havia realizado outra ocupação na mesma fazenda. Na época, um representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) esteve na ocupação para tentar resolver a situação. Ainda segundo informações apuradas, a Fazenda Maruim Amada foi oferecida pelo próprio Grupo Othon, junto com as fazendas São Cristóvão e Santa Luzia, para o Incra, a título de reforma agrária.
"Essa propriedade aqui passa por um processo junto a Receita da Fazenda Nacional de adjucação. Eles são devedores e chegou a um certo momento que a Procuradoria da Fazenda Nacional está negociando com os proprietários a cobrança dessa dívida. O Incra já manifestou interesse em criar um assentamento nessa área, caso seja utilizada como pagamento da dívida. O movimento está meio que pressionando para que as decisões ocorram, porque é um processo que envolve negociação, mas eles estão já há algum tempo acampados nesse tipo de reivindicações que eles fazem de montar acampamento e eles decidiram ocupar a área que a gente está negociando", comentou Paulo Ronan da Conciliação Agrária na época.
Após a reunião com o representante do Incra, Paulo Ronan, policial militar e policia rural, ficou acordado que no decorrer do dia serão realizadas conversas com representantes da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, do Grupo Othon, da Federação dos Trabalhadores Agrícolas (Fetagri) e os integrantes do acampamento, para chegar num possível acordo para que eles possam permanecer na propriedade sem avanço nas terras, "a título de realizar cadastro das famílias acampadas e aguardar as tratativas entre a Fazenda Nacional e o Incra, que por sua vez já demonstrou interesse na propriedade para reforma agrária".