Crimes que chocaram: Mulheres são assassinadas pelos companheiros em Campos
Júlia Alves - Atualizado em 31/12/2025 10:44
Amanda de Souza Santos, de 26 anos, e Júlia Silva Souza, de 24, foram assassinadas pelos companheiros em dezembro de 2025, em Campos
Amanda de Souza Santos, de 26 anos, e Júlia Silva Souza, de 24, foram assassinadas pelos companheiros em dezembro de 2025, em Campos / Reprodução - Montagem Folha da Manhã
Entre os casos de violência contra a mulher registrados em Campos no ano de 2025, dois crimes cometidos em dezembro chocaram a população. Amanda de Souza Santos, de 26 anos, e Júlia Silva Souza, de 24, foram assassinadas pelos companheiros, em acontecimentos marcados pela frieza e brutalidade. As duas jovens eram mães e tiveram as vidas ceifadas, deixando filhos.
No dia 8, o corpo de Amanda foi encontrado pela filha mais velha no quintal de casa no Parque do Prado. Ela foi morta a pedradas e tinha marcas de queimadura no corpo. O autor do crime foi o próprio marido, Diego Vitorino da Silva, que fugiu logo após. No dia seguinte, foi realizado o sepultamento de Amanda no Cemitério Campo da Paz, com a presença de familiares e amigos, marcado pela dor e desejo de justiça. Horas depois, Diego foi preso em flagrante na entrada de Grussaí, em São João da Barra, após buscas incessantes da Polícia Civil.
Durante depoimento na delegacia, Diego contou que matou a esposa por ciúmes. Ele chamou Amanda para o quintal, pois havia outras pessoas dentro da residência, e iniciaram uma discussão. Diego tentou enforcar Amanda duas vezes na intenção de fazê-la desmaiar, mas como ela continuava resistindo, ele pegou duas pedras e atingiu a vítima.
Divulgação
Segundo a delegada titular da 134ª Delegacia de Polícia (DP) do Centro, Carla Tavares, o objetivo de Diego era “efetivamente ceifar a vida dessa mulher”. Amanda era mãe de quatro crianças, sendo três do relacionamento com Diego. As crianças tem 1, 2 e 7 anos. A relação era marcada por agressões dele contra Amanda, onde houve registro de três boletins de ocorrência: em 2018, em 2024 e em março deste ano. No entanto, Amanda entrou com o pedido de suspensão da medida protetiva e Diego foi solto. Quinze dias depois, Diego matou Amanda.
A delegada informou que Diego narrou o crime de forma fria dizendo ter “perdido a cabeça” e ela completou dizendo que: “Não existe justificativa para violência contra a mulher. Não existe nenhuma motivação capaz de justificar um homem tirar a vida de uma pessoa, seja ela mulher ou homem”. Diego passou por audiência de custódia no dia 11 e teve a prisão mantida pela Justiça.
Já o outro caso aconteceu no dia 7, quando Júlia foi encontrada inconsciente por policiais militares no Rio Paraíba do Sul, na altura da Usina São João, em Guarus. Ela foi agredida violentamente pelo companheiro, Jhonatan do Nascimento Gomes Barbosa, que foi preso em flagrante no local quando tentava afogar a vítima.
Após receber denúncia, a PM localizou o casal dentro do rio. O homem estava apenas com a cabeça fora da água e segurava a vítima, que estava desacordada. Júlia teve traumatismo craniano e escoriações pelo corpo, sendo socorrida em estado grave para o Hospital Ferreira Machado. No dia 13, após seis dias internada, ela teve a morte cerebral confirmada na unidade hospitalar. Júlia deixa dois filhos pequenos do relacionamento com Jhonatan. Ele também passou por audiência de custódia, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e segue à disposição da Justiça.
A delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) do município, Juliana Oliveira, comenta que em casos de feminicídio há uma escalada de violência desde atos não considerados tão graves, como por exemplo agressões verbais. 
“Esses casos mais recentes de feminicídio retratam a realidade do machismo que ainda impera dentro da nossa sociedade. Infelizmente, a gente vê uma escalada de violência normalmente em todos esses casos. Já existia um histórico de violência dessas vítimas com esses mesmos companheiros. E é sempre aquela máxima de acreditar que a pessoa vai melhorar, de que as coisas vão ser diferentes. Esses casos retratam que aquele agressor normalmente não começa com um ato que é tido como tão grave assim. O feminicídio é o ápice da violência contra a mulher”.
Já o delegado titular da 146ª DP de Guarus, Ronaldo Cavalcante, destacou que as forças de segurança se empenham em ações rápidas para combater a violência doméstica e garantir resposta imediata aos crimes. 
"Denota uma atuação em conjunto com as demais forças de segurança e, principalmente, uma preocupação com a questão da violêcia doméstica, em que as autoridades vêem com maior sensibilidade esses crimes, no sentido de imediata e dura resposta aos autores de delitos graves como o feminicídio e atos correlatos. Denota que há um empenho das forças em coibir que essas ações não se repitam e cria na comunidade uma certeza de que se denunciados os atos, haverá pronta e imediata resposta dos órgãos responsáveis pela persecução penal", afirmou Ronaldo.

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