Família de paciente protesta em frente ao HFM por vaga em hospital oncológico
Familiares e amigos de Camila da Conceição, de 34 anos, realizaram nesta sexta-feira (10) uma manifestação em frente ao Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos, por vaga em hospital oncológico. De acordo com os manifestantes, ela está internada na unidade hospitalar há cerca de quatro meses com um diagnóstico de câncer, mas não tinha sido transferida para o local especializado na doença como pedido pela família.
Apesar dos parentes de Camila terem ateado fogo em pneus, o protesto foi pacífico com diversos cartazes pedindo pela transferência. Irmã e amiga de Camila se reuniram com representantes do hospital, que informaram que a transferência será realizada ainda nesta sexta.
Segundo agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), cerca de 25 pessoas estavam protestando no local em direção à ponte General Dutra. Houve interdição nas duas faixas durante a manhã e fogo ateado em pneus. Com a chegada das autoridades, os familiares conversaram com os agentes e concordaram em liberar uma das faixas.
De acordo com parentes da paciente, um representante da Polícia Rodoviária Federal entrou na unidade hospitalar com a irmã e uma amiga da Camila para tentar conversar e resolver a transferência. Ainda segundo a GCM, o Corpo de Bombeiros esteve no local para apagar as chamas nos pneus.
Camila tem três filhos, sendo dois menores de idade. Segundo a família, ela está internada há quatro meses e com inchaços no rosto que seguem aumentando. Eles relatam que tudo teria começado com a remoção de um dente e em seguida surgiu um inchaço na bochecha. Depois, começou um inchaço no olho. Familiares revelam a angústia de ver Camila nessa situação e o desejo de que ela tenha um tratamento adeuqado. Além da saudade dos filhos pequenos que não conseguem ver a mãe.
Janaína Viana Delfino é amiga de Camila e explicou o motivo da manifestação nesta sexta.
“Tudo começou com um dente que ela retirou no Hospital São José. Desde quando entrou aqui, a situação dela vem se agravando e a possibilidade era dela estar com câncer. A gente ainda não sabe de qual tipo exatamente e se realmente é isso. Mas ela já está com um lado da bochecha e do olho muito inchado, o que também pode ser uma possibilidade de ser um câncer na vista”, comenta.
Ela ainda esclarece que a família foi à Justiça para solicitar a transferência de Camila para um hospital particular onde possa tratar o câncer, caso exames comprovem a doença.
“A gente está lutando para uma transferência. O juiz já determinou que fizesse essa transferência para um hospital particular, já que não estamos conseguindo pelo SUS. Até agora não fizeram nada. Já foram no núcleo, já retornaram de novo na Defensoria Pública e até agora a menina se encontra internada aqui. A gente só quer uma transferência”, reforçou.
Janaína comenta sobre a dificuldade que a amiga está tendo para se alimentar e sobre algumas situações vivenciadas no hospital, segundo ela.
“Estamos com medo de perder ela, sinceramente, porque a situação só está se agravando. Ela já não está se alimentando direito. Quebraram o maxilar dela na retirada de outro dente aqui no hospital. Muitas vezes está faltando até mesmo material para fazer curativo ou um medicamento que precisa. Então tem muita coisa que está deixando a desejar que está preocupando a gente”, revela.
A manifestação foi encerrada no início desta tarde após a irmã de Camila e uma amiga conseguirem conversar com o diretor do HFM. Segundo Adriana Souza Silva, o hospital pediu um voto de confiança e informou que irá realizar a transferência ainda nesta sexta.
“Eles garantiram para a gente que saiu o resultado do exame, que dependia dele, por isso que ela não tinha sido transferida. Então, o exame chegou hoje, que também não tinha sido passado para a gente, para a família, ninguém sabia. O diretor pediu um voto de confiança, que vai transferir ela ainda hoje para o Hospital Escola Álvaro Alvim. A gente vai dar esse voto a eles, porque se não resolver, vamos voltar e fazer outra manifestação porque realmente ela está em estado de calamidade,” comentou.
Adriana reforça que o pedido da família é para que Camila receba o tratamento adequado.
“A gente está aqui pedindo só uma vaga, uma transferência, para que ela tenha dignidade, mais nada. A gente não quer nada demais, só que ela seja transferida. Agora, é uma sensação de confiança de que ela vai ser tratada como merece, que é oncologicamente. A gente está dando uma credibilidade”
O ato contou ainda com a presença da Arteris Fluminense, Polícia Militar (PM), Grupamento de Operações com Cães (GOC) no local.
A Arteris Fluminense, concessionária que administra a rodovia, foi acionada para a manifestação na altura do km 63, em frente à fachada do HFM, "onde manifestantes reivindicavam a insatisfação da saúde pública de Campos". Atualmente, não há mais faixas interditadas.
A Folha entrou em contato com a Secretaria de Saúde para saber mais informações sobre o estado de saúde da Camila e sobre os questionamentos da família em relação à transferência. Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a paciente citada não tem ainda diagnóstico de câncer. O material já foi coletado para exame imunohistoquímico, cujo resultado leva cerca de 30 dias, informou a nota. Segundo a Saúde, "a paciente está sendo bem assistida e foi transferida, no início da tarde desta sexta-feira (10), para o Hospital Álvaro Alvim".
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