Craque da Copa de 70, Paulo Cézar Caju considera feio o futebol brasileiro atual
Dora Paula Paes - Atualizado em 10/01/2026 09:46
Rodrigo Silveira
Botafoguense, torcedor do futebol francês e com uma língua ligeira como um chute ao gol daquele que balança a rede e deixa o goleiro tonto... Em sua passagem por Campos, na última quarta-feira (7), o ex-craque Paulo Cézar Lima, mais conhecido como Paulo Cézar Caju, tricampeão pelo Brasil na Copa do Mundo de 1970, faz jus aos seus textos afiados na imprensa. Direto ao assunto, sobre a Copa do Mundo, com início em junho de 2026, ele adianta que o Brasil vai para 24 anos sem título de campeão. No momento, apresenta um futebol feio e mediano. Na sua opinião, isso se deveria em parte a interesses financeiros.
Atualmente, Paulo Cézar escreve artigos para o jornal carioca O Povo. Em mais um chute: “Não sou comentarista de computador”. Porém, sobre o possível time brasileiro que estará em campo na Copa da Fifa, em junho, avalia que será desenhado aos moldes do novo treinador, Carlo Ancelotti, que chega importado do futebol italiano.
Caju admite que não gosta no futebol italiano, de onde vem Ancelotti:
— Joga no ferrolho, na retranca e ganha eficiência. Ele foi convidado porque dirigiu jogadores da Seleção Brasileira que estiveram nas Copas 1994 e 2002, como Cafu, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo. Acho que isso pesou muito. Conheci Ancelotti pessoalmente no amistoso do Brasil nas Eliminatórias contra o Chile, no Maracanã, em setembro passado (o Brasil derrotou o Chile por 3 a 0). Tive muito boa impressão dele como ser humano.
Ao falar dos times cariocas, mundialmente conhecidos, Caju destacou: "O Rio tinha um jeito especial de jogar e hoje não tem mais. Vem perdendo a identificação. Tem seis estrangeiros por cada time. É venezuelano, peruano, chileno, paraguaio, argentino, em cada time. Então, você perde a essência, a nossa arte."
Caju jogou com craques do futebol de todos os tempos, como Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gérson e Carlos Alberto, sob o comando de Mário Zagallo. Quando questionado se o Brasil hoje tem craque, não consegue citar nomes.
— Em parte, por essa invasão de jogadores estrangeiros. O modelo Fifa e da Champions League também não contribuem. Só pensam em arrecadar e com isso se perde a qualidade dos jogos e jogadores. Não tem um time de jogadores natos.
Quanto à sua trajetória no futebol brasileiro, Caju fala com orgulho de ter jogado com os melhores do mundo. Ele também cita honrarias recebidas no exterior, inclusive uma, na França, a comenda de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, instituída por Napoleão Bonaparte em 1802. Como ativista contra o racismo no futebol, se orgulha. “Fui o único negro a recebê-la", disse.
Na sua história com o futebol, o menino pobre, um retrato da origem da grande maioria dos jogadores brasileiros, primeiro ele jogou no seu time do coração o Botafogo. Na sequência, após atuações marcantes, Caju transferiu-se para o Olympique de Marselha, da França. Ao voltar ao Brasil, jogou no Flamengo, Corinthians, Fluminense, Vasco e Grêmio. Na seleção brasileira, fez 77 jogos e marcou 17 gols, tendo participado das Copas de 70 e 74. Em Campos, Paulo Cézar esteve para prestigiar a exposição do amigo, o chargista Marco Antônio Rodrigues. 

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