Greve na Bacia de Campos chega a 14 dias dias após audiência no TRT terminar sem acordo
Gabriel Torres - Atualizado em 01/10/2026 17:02
Trabalhadores durante paralisação em plataforma na Bacia de Campos
Trabalhadores durante paralisação em plataforma na Bacia de Campos / Foto: Divulgação
A greve dos trabalhadores terceirizados de manutenção e montagem industrial na Bacia de Campos foi mantida após a segunda audiência de conciliação na última terça-feira (29), no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), no Rio de Janeiro. A paralisação completou 14 dias nesta quinta-feira (1º) e uma nova audiência acontecerá nesta sexta-feira (2). A Petrobras informou que acompanha a negociação entre as empresas e os trabalhadores e que as plataformas em produção continuam produzindo normalmente.
A paralisação foi iniciada no último dia 18 e atinge 30 plataformas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Pintura Industrial e Construção Civil (Sintpicc) de Macaé. Durante a audiência, o setor patronal apresentou uma nova proposta para a Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027, de manter o reajuste de 6,5% nos pisos salariais e elevar de R$ 850 para R$ 900 o valor proposto para o vale-alimentação.
Outro ponto apresentado foi o pagamento dos 12 dias, até terça-feira, em que os trabalhadores estão parados desde o início da greve. A proposta é que não haja desconto salarial e o período seja abonado, mas com a condição de que a paralisação seja suspensa. De acordo com o Sintpicc, a suspensão não representaria o encerramento definitivo da greve e permitiria a continuidade das negociações entre as partes.
As empresas também propuseram o pagamento de 20% referente aos dias em que os trabalhadores permanecem em hotéis e a inclusão de cinco novas funções na Convenção Coletiva: auxiliar administrativo, assistente administrativo, delineador, inspetor e supervisor.
A rodada de negociações desta terça-feira ocorreu seis dias depois da audiência anterior, realizada no último dia 23 de setembro, também no TRT-1. A categoria reivindica reajuste salarial de 15%, vale-alimentação de R$ 1 mil, mudanças na escala de trabalho, melhorias nas condições de segurança, ampliação do efetivo a bordo e igualdade nas condições de trabalho entre terceirizados e funcionários próprios.
De acordo com o Sintpicc, a greve foi aprovada após os trabalhadores rejeitarem uma proposta apresentada pelas empresas durante as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027. Em assembleia realizada nesta quarta-feira (30), a categoria rejeitou a proposta do setor patronal e decidiu manter a greve.
A Petrobrás foi procurada pela equipe de reportagem e informou que está tomando medidas para a continuidade dos serviços nas plataformas, que não tiveram a produção afetada.

"A Petrobras informa que está acompanhando a negociação entre as empresas contratadas e os trabalhadores que se declararam em greve e reafirma que todos os seus contratos de serviço estão em conformidade com a legislação vigente. A Petrobras também já se reuniu com as lideranças das empresas contratadas e está tomando as medidas necessárias para a garantia da continuidade dos serviços a bordo das suas plataformas de forma segura e responsável. As plataformas em produção continuam produzindo normalmente. Não tem impacto de abastecimento, nem produção", diz a nota.


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