Pesquisador campista integra equipe finalista do Hackathon IA Coppe 2026
- Atualizado em 23/09/2026 15:15
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O pesquisador e físico campista Carlos Alberto Bisogno integra, como especialista temático de transição energética e arquitetura de AI, a equipe finalista do Hackathon IA Coppe 2026, único evento do gênero voltado exclusivamente para a transição energética no país. Promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Made in Rio e Operadora Nacional do Sistema de Energia Brasileiro (ONS), o evento acontece entre os dias 25 e 27, no Rio de Janeiro.
O que levou Bisogno à final do evento foi a dimensão do desafio que é o custo de R$ 6,5 bilhões por ano ao Brasil e desperdício de energia limpa suficiente para abastecer um país inteiro. O pesquisador campista integra a equipe WattSteer, formada por cinco profissionais de perfis complementares. 
O Hackathon selecionou apenas 13 especialistas temáticos como Bisogno, entre os mais de mil inscritos de todo o país. Na fase final serão distribuídos R$ 22 mil em prêmios, além de US$ 10 mil em créditos AWS para cada uma das três melhores equipes e semanas de uso do Supercomputador Santos Dumont, do LNCC.
A expansão das fontes renováveis, como eólica e solar, traz novos desafios para a operação do sistema elétrico. Em determinadas situações, a geração dessas usinas precisa ser reduzida ou interrompida por restrições da rede de transmissão.
Carlos Bisogno
Carlos Bisogno / Divulgação


Esse processo, conhecido como curtailment, pode representar desperdício de energia limpa e gerar impactos econômicos e operacionais e será um dos desafios abordados no Hackathon.
Segundo especialistas, a produção energética no Brasil vive um paradoxo. Enquanto amplia sua matriz renovável — com capacidade eólica e solar crescendo 279% desde 2022 —, o país desperdiça volumes crescentes de energia limpa por falta de escoamento e de ferramentas preditivas. É o fenômeno do curtailment: o corte forçado de geração eólica e solar quando a rede não consegue absorver a produção.

Segundo dados do ONS, entre janeiro e outubro de 2025, os cortes somaram 42,2 GW médios, com prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões. Apenas em 2025, 20,6% da energia solar e eólica gerada no país não pôde ser utilizada — o triplo do registrado em 2024. E as projeções são ainda mais preocupantes: o ONS estima que, em 2029, 96% dos cortes serão por razão energética, ou seja, por excesso de oferta em horários de pico solar, especialmente entre 9h e 16h.

“O curtailment não é um problema conjuntural, é estrutural. O Brasil está desperdiçando a energia que deveria ser a base da sua transição energética. O que falta não é geração, é inteligência para operar a rede existente com mais eficiência”, destaca Carlos Bisogno.
Bisogno é responsável pela ponte entre a operação real e a Modelagem Computacional & Arquitetura de AI. Já Guilherme Machado é desenvolvedor com mais de 9 anos no setor elétrico. Vitor Torres é desenvolvedor sênior com mais de 15 anos de experiência em engenharia de software, dados e infraestrutura. Guilherme Chaves é desenvolvedor full stack com foco em produto e IA generativa; e João Azevedo fica responsável pelo produto e negócios.
A solução proposta pela WattSteer é uma camada de decisão que se posiciona entre o plano diário do ONS (DESSEM) e a operação em tempo real. Utilizando machine learning e técnicas de explicabilidade, a plataforma prevê o risco de corte do dia seguinte por subsistema, diagnostica a causa provável (com base na taxonomia oficial do ONS) e evidencia o que aconteceu em dias análogos do histórico.

"O que a plataforma faz é transformar essa previsão de Corte da ONS em decisão auditável. Nossa abordagem é radicalmente transparente: cada alerta vem em duas linguagens — uma para o operador, outra para o engenheiro e o auditor. Nenhum número é inventado por IA”, explicou Bisogno.
Todas as 13 equipes finalistas com soluções de maior destaque poderão avançar para programas de aceleração promovidos pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, Prefeitura do Rio, AWS, NVIDIA e demais parceiros.

“Não estou participando por um prêmio em dinheiro. Estou participando porque acredito que a soberania tecnológica do Brasil passa pela capacidade de resolver seus próprios problemas com inteligência nacional. E porque, como pai de uma menina de pouco mais de um mês, Ísis Maria, quero deixar para ela um país que não desperdiça o futuro", afirmou Carlos Alberto Bisogno.
Um evento que nasce da urgência

O Hackathon IA Coppe 2026 nasceu de uma demanda concreta do setor: em junho de 2026, o ONS passou a emitir alertas com 2 a 3 dias de antecedência sobre a possibilidade de acionar o Plano de Gestão de Excedentes Energéticos. No mesmo período, um plano de ação conjunto entre o ONS, Absolar, ABEEólica e Abrage começou a estruturar a prospecção de dados sobre curtailment.

“O evento reúne o que há de mais moderno em IA com um problema que afeta diretamente a competitividade do país. É uma oportunidade de mostrar que a academia, o setor produtivo e a sociedade civil podem construir soluções juntos.”

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