Fechamento de agências bancárias em Campos gera questionamentos
Gabriel Torres - Atualizado em 13/05/2026 09:51
Santander da Pelinca fechou em fevereiro
Santander da Pelinca fechou em fevereiro / Foto: Divulgação


Quatro agências bancárias fecharam em Campos nos últimos dois anos, em movimento impulsionado pelo crescimento dos serviços digitais. Entre as instituições estão Bradesco, Santander e Itaú, que encerrou a única unidade em Guarus. Já o Banco do Brasil encerrou o atendimento presencial no caixa de uma agência em abril. O Sindicato dos Bancários aponta prejuízos aos trabalhadores, comerciantes e à população. Já o economista Alcimar Chagas atribui o fenômeno à desaceleração econômica e à menor oferta de crédito.
Os clientes acostumados a usar a agência do Banco do Brasil da Avenida Pelinca foram surpreendidos no final de abril com o encerramento do atendimento de caixa presencial, que foi alvo de protesto do sindicato da categoria. A instituição financeira informou que os correntistas podem procurar a unidade da Praça São Salvador, no Centro.
O Banco Itaú fechou a agência da Avenida 28 de Março, no bairro do Turf, em 2024, e da Avenida Professora Carmem Carneiro, no Jardim Carioca, em janeiro deste ano. A unidade era a única do banco em funcionamento no subdistrito, que concentra uma grande parcela da população de Campos. Com o fechamento, moradores de Guarus passam a depender de agências em outras regiões da cidade ou exclusivamente dos canais digitais para atendimento.
Já o Bradesco fechou sua agência localizada na Rua Saldanha Marinho, no Centro de Campos, em 2024, remanejando os clientes para a unidade do Boulevard Francisco de Paula Carneiro, no Calçadão. Outra instituição financeira a diminuir a presença no município foi o Santander, que fechou a agência da Avenida Pelinca em fevereiro deste ano. Antes, havia fechado a única em São João da Barra.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Campos, Rafanele Alves Pereira, os fechamentos têm agravado a precarização do atendimento, reduzindo o acesso da população aos serviços e sobrecarregando as unidades remanescentes, com filas frequentes, demora para resolver demandas básicas e falta de estrutura e pessoal para absorver a demanda. Além de atingir de forma mais severa idosos, pessoas com deficiência, e clientes que dependem do atendimento presencial, excluindo aqueles que não têm acesso à internet, pacote de dados ou smartphone.
“Reafirmamos que a digitalização não substitui o atendimento presencial. O avanço tecnológico no setor financeiro não pode servir de justificativa para a precarização do trabalho, nem para exclusão de milhões de brasileiros a serviços essenciais. A Constituição Federal assegura a proteção do emprego frente à automação e impõe às instituições financeiras o dever de garantir inclusão, reinserção profissional e atendimento digno à população servindo aos interesses da coletividade”, afirmou Rafanele.
Segundo Alcimar Chagas, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), os principais fatores para o fechamento de agências são a desaceleração econômica do município e a menor oferta de crédito. Ele cita o Valor Adicionado Fiscal (VAF), indicador econômico-fiscal que representa a diferença entre as saídas (vendas) e entradas (compras) por ano, onde Campos apresentou uma queda real de 11,14% em 2024 com base em 2019. Além disso, segundo dados do Banco Central, o município saiu de 32 agências em 2019 para somente 21 em 2025.
“Esta retração mostra que o sistema econômico do município vem perdendo força ao longo do tempo, em função da ausência do surgimento de novos negócios, especialmente, no setor industrial. A dependência do setor sucroalcooleiro em desaceleração contínua e com característica sazonal é um problema. Além das rendas petrolíferas, o município tem se sustentado com o setor de serviços de baixo padrão tecnológico e baixos salários. Pensar alternativas, especialmente neste momento de risco em relação a uma possível redistribuição das rendas petrolíferas, é crucial”, afirmou Alcimar.

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