Felipe Fernandes - Não é Resident Evil
*Felipe Fernandes 30/09/2026 07:46 - Atualizado em 30/09/2026 07:46
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Filme: Resident Evil - Lançado em março de 1996, Resident Evil é um game de terror que mistura sobrevivência e ação, em uma história que envolve zumbis e uma conspiração envolvendo uma grande farmacêutica que, na verdade, produz armas biológicas. O jogo foi um tremendo sucesso, consagrou-se como um clássico dos games e consolidou um gênero que ficou conhecido como survival horror. Passadas três décadas, a franquia rendeu centenas de jogos e uma franquia de filmes que nunca foi unanimidade entre os fãs.

Confesso que sou um desses fãs de longa data dos jogos de Resident Evil, tendo jogado praticamente todos os títulos da linha principal. Em contrapartida, todo o extenso braço cinematográfico da franquia nunca me cativou. Assisti ao primeiro, de 2002, e nunca mais vi nada.

A verdade é que o grande atrativo do novo longa é o roteiro e a direção de Zach Cregger, após o excelente A Hora do Mal.

É muito claro para mim que o diretor e roteirista construiu um filme que é uma grande homenagem ao gênero survival horror e, no meio do processo, alguém teve a ideia: “E se a gente chamar ele de Resident Evil? Vai dar mais dinheiro”. E deu. Não é uma tática exatamente nova, é até mais comum nos games. Silent Hill 4 e Devil May Cry me vêm rapidamente à mente.

O filme traz pouquíssimas referências aos jogos. Elas estão mais presentes no gênero como um todo. A forma como Cregger filma algumas cenas, emulando a câmera em primeira e terceira pessoa dos jogos, a progressão do personagem, a maneira como ele encontra armas pelo caminho, a escassez de munição e o perigo constante são elementos clássicos do survival horror.

O longa tem um aspecto episódico, que também dialoga com a natureza do material original. A escolha do protagonista como um entregador, que precisa chegar a determinado local para fazer uma entrega importante, é a desculpa perfeita para a progressão da história. O roteiro não se aprofunda muito na forma como toda aquela situação aconteceu. O foco é a sobrevivência, com poucos momentos de respiro.

Em meio a tudo isso, Cregger ainda traz uma surpreendentemente forte dose de humor. Essa é uma característica presente em seus outros dois longas, mas que aqui está presente em todo o filme. Essa mistura de extremos é complexa, mas o realizador encontra um equilíbrio que funciona. É uma mistura de terror com características de uma comédia de erros, sobretudo porque boa parte do humor nasce da sucessão de decisões equivocadas, mal-entendidos, improvisos e consequências inesperadas.

O interessante é que essa mistura produz situações absurdas, que também podem colocar os personagens em perigo. É uma combinação ousada, mas que funciona, principalmente pela natureza absurda da escalada do filme, que parte de situações pequenas e cresce em escala e em absurdos. Uma dinâmica muito própria dos games.

Zach Cregger parece interessado em reproduzir a experiência de jogar Resident Evil, em vez de simplesmente transportar a história e os personagens dos games para a tela. Para os fãs mais assíduos, permitam-se desligar do nome. Certamente, a experiência será mais prazerosa.

Não é Resident Evil, mas é um clássico survival horror e uma boa adaptação de game, o que por si só, já é bastante coisa.

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